Dias Toffoli, ministro do STF

Toffoli avalia devolver caso Master à 1ª instância após pressão e críticas

Há 3 horas
Atualizado sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Ministro aguarda novos depoimentos antes de decidir sobre a permanência do inquérito no STF, após semanas de desgaste e revelações sobre vínculos familiares

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou pela primeira vez a possibilidade de devolver à primeira instância da Justiça Federal as investigações envolvendo o caso Master. A mudança de postura ocorre em meio a pressões crescentes dentro e fora da Corte, somadas a críticas de integrantes da Polícia Federal (PF), Banco Central (BC) e do próprio STF.

Desde dezembro, quando o caso chegou ao Supremo por determinação do próprio Toffoli, o ministro afirmava que manteria a relatoria, mesmo diante de revelações que apontam vínculos de familiares com fundos mencionados na apuração.

Depoimentos podem selar destino do inquérito

Na próxima semana, estão agendados novos depoimentos de executivos ligados ao Master e ao Banco de Brasília (BRB), marcados para os dias 26 e 27. O ministro informou que avaliará o conteúdo das oitivas para decidir se há menção a autoridades com foro privilegiado. Caso contrário, deve devolver o inquérito às varas federais de origem, em Brasília ou São Paulo.

O caso foi parar no STF após a apreensão de um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), em endereço vinculado a Daniel Vorcaro, dono do Master. O documento citava um negócio imobiliário, mas Bacelar declarou ao jornal Valor que a operação nunca foi concluída.

Relações familiares aumentam desgaste

O desgaste em torno do ministro aumentou após reportagens apontarem relações entre seus familiares e fundos que adquiriram participação no resort Tayayá, no Paraná. Segundo o Estadão, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi o único cotista do fundo Leal entre 2021 e 2025. Esse fundo passou a ter participação no resort, que anteriormente contava com irmãos de Toffoli como sócios.

A Folha de S.Paulo também revelou que a DGEP Empreendimentos Incorporadora, envolvida em outro fundo ligado ao caso, tem entre os sócios um primo do ministro. Já a empresa Maridt Participações, de dois irmãos de Toffoli, usava como sede uma casa no interior de São Paulo, cuja moradora afirmou desconhecer que ali funcionava uma empresa ou que havia ligações com o Tayayá.

Críticas internas e tensão com a PF

A condução do inquérito por Toffoli provocou reações dentro do próprio STF. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, antecipou seu retorno a Brasília para acompanhar os desdobramentos e dialogar com colegas em busca de saídas. Ele afirmou que o momento exigia sua presença na capital.

Outro ponto de tensão foi a decisão de Toffoli de impedir inicialmente o acesso da PF a provas colhidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, como 39 celulares e 31 computadores. O ministro determinou que os dispositivos fossem mantidos lacrados no STF.

Recuos sucessivos não diminuem impasse

Após pedidos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), Toffoli autorizou que os materiais fossem analisados por quatro peritos indicados por ele. No entanto, a cúpula da PF não participou da escolha dos especialistas, o que manteve o clima de insatisfação.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, reagiu duramente à decisão de manter os dispositivos lacrados. Em petição enviada ao STF, alertou que a medida poderia comprometer a continuidade das investigações e até mesmo acarretar perda de provas.

Com os novos depoimentos prestes a acontecer, o Supremo enfrenta uma crise institucional que só tende a se agravar caso o impasse não seja resolvido de forma transparente. A possibilidade de devolução do caso à primeira instância pode ser o primeiro passo de uma tentativa de descompressão da tensão entre Judiciário e órgãos de investigação.

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