Por Carolina Villela
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou nesta sexta-feira (16) as investigações da Polícia Federal envolvendo a operação de compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB. Na decisão, Toffoli concedeu mais 60 dias para a PF concluir o inquérito, atendendo solicitação da própria corporação.
O processo tramita sob sigilo no STF. Ao deferir o pedido dos investigadores, Toffoli limitou-se a afirmar que as razões apontadas para a prorrogação do prazo devem ser atendidas, sem mencionar especificamente os motivos que justificaram a extensão do prazo. O caso envolve um suposto esquema de fraudes que pode ter movimentado R$ 12 bilhões.
Banqueiro foi preso e solto em novembro
Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025, mas o banqueiro acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar irregularidades no Banco Master.
A Polícia Federal afirma que o Master emitiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. No entanto, o retorno prometido não era real e não poderia ser sustentado pelas operações do banco.
De acordo com a PF, há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema fraudulento. Em março de 2025, o BRB chegou a fechar um acordo para comprar o Banco Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central antes de sua conclusão.
Cronograma de depoimentos será redefinido
Em decisão anterior, o ministro também reduziu de seis para dois dias o tempo para os agentes da PF ouvirem os investigados no caso Master. Os depoimentos ocorreriam, a princípio, entre 23 e 28 de janeiro. Agora, Toffoli aguarda um novo cronograma da Polícia Federal para a realização das oitivas.
Nesta quinta-feira, Dias Toffoli autorizou que quatro peritos da Polícia Federal, escolhidos nominalmente por ele, acompanhem na Procuradoria-Geral da República (PGR) a extração de dados dos dispositivos apreendidos na Operação Compliance Zero. A medida representa o segundo recuo do ministro no tratamento das provas do caso.
Inicialmente, Toffoli havia determinado que os equipamentos recolhidos em buscas e apreensões permanecessem lacrados no STF, impedindo o acesso imediato da Polícia Federal às provas. Posteriormente, diante de questionamentos da corporação sobre o risco de perda de dados, o magistrado autorizou o envio do material à PGR.
Extração de dados será supervisionada pela PGR
Agora, o ministro permitiu a participação de peritos federais na etapa de extração de dados, mas condicionou a atuação desses agentes à supervisão da Procuradoria-Geral da República, onde os trabalhos serão realizados. Segundo a decisão, os peritos terão “livre acesso” aos dispositivos, embora a PF não tenha participado do processo de escolha dos nomes indicados.
O impasse em torno do acesso às provas ganhou repercussão após Toffoli criticar uma suposta “inércia” da Polícia Federal e determinar que os dispositivos fossem lacrados e remetidos ao STF. A decisão gerou reação imediata da corporação, que alertou para o risco de perda de dados sensíveis em razão de mecanismos automáticos de segurança dos aparelhos, como bloqueios e criptografia progressiva.
Em manifestação encaminhada ao Supremo, a PF alegou que a demora no acesso poderia inviabilizar a coleta de provas essenciais para o avanço das investigações. Diante do argumento técnico apresentado, Toffoli recuou parcialmente, permitindo o envio do material à PGR, mas manteve o controle do procedimento fora da estrutura da Polícia Federal.


