Da Redação
Aeroviários brasileiros garantiram o direito de trabalhar cinco dias e folgar um, em convenção coletiva homologada nesta semana. A mudança, considerada histórica pela categoria, será implementada gradualmente e representa avanço nas condições de trabalho do setor aéreo.
A nova escala de trabalho dos aeroviários foi oficializada após intensa negociação mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho. O acordo representa uma conquista significativa para os profissionais da aviação, que há anos reivindicavam melhores condições de descanso e qualidade de vida.
Diferente do que muitos imaginam, a implementação não será automática. A partir de março, uma comissão formada por trabalhadores e empresas decidirá quais setores receberão a nova escala primeiro. Onde o modelo já funcionava como teste, a mudança se torna permanente.
Como funciona a escala 5×1
Na prática, o trabalhador atua por cinco dias seguidos e descansa um. Parece pouco, mas a diferença é grande quando comparada à escala 6×1, ainda comum no Brasil. Com a nova jornada, os profissionais ganham mais folgas mensais e melhor distribuição do descanso.
A mudança beneficia especialmente quem trabalha em aeroportos, que funcionam sete dias por semana. Antes, muitos aeroviários passavam meses sem descansar aos domingos, prejudicando a saúde física e mental, além da convivência familiar.
Acordo trouxe outros benefícios
Além da nova escala, a convenção coletiva garantiu reajuste salarial acima da inflação. Os valores de vale-alimentação e vale-refeição também aumentaram em percentuais superiores ao índice inflacionário, assegurando ganho real aos trabalhadores.
Paulo de Tarso Gonçalves Júnior, presidente da Federação Única dos Trabalhadores do Setor Aéreo, explicou que a conquista ajuda a combater o adoecimento dos profissionais. “Após a pandemia, a aviação voltou ao normal rapidamente, mas os postos de trabalho não. Hoje, menos pessoas fazem mais tarefas”, destacou.
Diálogo foi essencial para o sucesso
O vice-presidente do TST, ministro Caputo Bastos, conduziu as negociações e enfatizou a importância do consenso. “O ideal não é julgar mais ou julgar rápido, mas construir soluções de forma consensual”, afirmou durante a assinatura do acordo.
Roberto Roupeita, negociador do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, reconheceu que houve conflitos, mas prevaleceu a responsabilidade. “O resultado foi um acordo em que todos ganham”, avaliou.
Contexto nacional sobre jornada de trabalho
A conquista dos aeroviários acontece enquanto tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição para acabar com a escala 6×1 em todo o país. O texto ainda não foi aprovado e segue em discussão entre parlamentares, sindicatos e empresários.
Para os representantes dos trabalhadores, a negociação coletiva mostrou que é possível avançar mesmo sem mudanças na lei. “Enquanto o Congresso ainda discute, conseguimos registrar uma alternativa construída com diálogo”, ressaltou Paulo de Tarso.
Soluções específicas para cada setor
Os dirigentes sindicais reconhecem que nem todas as atividades podem adotar o fim imediato da escala 6×1. No setor de cargas aéreas, por exemplo, não há operação aos domingos, o que exige soluções diferentes.
“Por isso a negociação coletiva é tão importante: ela permite ajustes à realidade de cada atividade”, explicou o presidente da federação dos trabalhadores.
O ministro Caputo Bastos encerrou a audiência parabenizando ambas as partes pela disposição ao diálogo. “Quando as próprias partes constroem a solução, o resultado é mais legítimo, equilibrado e duradouro”, concluiu.


