O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que o governo americano assumirá o controle da Venezuela por tempo indeterminado após a operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A ação foi confirmada em pronunciamento feito no clube Mar-a-Lago, na Flórida.
Segundo Trump, Maduro está a bordo do navio USS Iwo Jima com destino a Nova York, onde enfrentará acusações federais de narcoterrorismo em um tribunal do Distrito Sul de Manhattan. O presidente americano afirmou que o governo venezuelano teve a chance de aceitar uma saída negociada, mas se recusou, o que motivou a ofensiva.
“Vamos governar o país por um tempo”
Durante o discurso, Trump declarou: “Vamos governar a Venezuela. Mas até que possamos garantir uma transição segura, adequada e judiciosa.” A fala levanta dúvidas sobre a duração do controle americano e se haverá presença militar prolongada no território venezuelano.
Trump disse ainda que as empresas petrolíferas norte-americanas irão assumir o petróleo venezuelano e que os EUA irão reconstruir a infraestrutura petrolífera do país e que os custos serão arcados inicialmente por empresas americanas, com posterior reembolso.
Explosões e blecautes em Caracas
A operação militar incluiu bombardeios em locais estratégicos na capital venezuelana. Durante a madrugada, fortes explosões foram registradas nas proximidades da Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, em La Carlota, região leste de Caracas. Vídeos divulgados por moradores mostram colunas de fumaça saindo de hangares militares e aeronaves sobrevoando a cidade.
Além dos bombardeios, houve relatos de apagões em várias zonas da capital. Segundo testemunhas, o barulho das explosões foi “ensurdecedor”.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que Maduro “brincou e descobriu”, ao se recusar a renunciar. “Ele teve sua chance”, disse Hegseth, elogiando a “coragem e glória” dos militares envolvidos na missão.
Acusações formais e prisão em solo americano
A procuradora-geral Pam Bondi confirmou neste sábado que Maduro e sua esposa enfrentam acusações em Nova York, baseadas em um processo aberto em março de 2020. À época, o presidente venezuelano foi denunciado por chefiar uma organização de narcotráfico. Trump voltou a acusá-lo de “inundar os EUA com drogas ilícitas”, alegação que Maduro sempre negou.
A detenção do casal marca uma escalada sem precedentes nas tensões entre Washington e Caracas, com possíveis repercussões diplomáticas e humanitárias em toda a América Latina.
Congresso dos EUA reage com críticas
Parlamentares democratas criticaram a decisão do presidente americano de não informar o Congresso sobre a operação antes de sua execução. Alguns classificaram a ação como um “abuso de poder” e um “ato de guerra não autorizado”.
Apesar disso, o governo Trump sinaliza que continuará exercendo controle direto sobre o país caribenho até a consolidação de uma nova administração, o que, segundo o próprio presidente, será feito com um grupo ainda não especificado de aliados e técnicos americanos.


