Por Hylda Cavalcanti
Durante seu pronunciamento oficial seguido de entrevista coletiva, para a qual convidou oficiais a também se manifestarem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o ataque do seu país à Venezuela foi “extremamente bem sucedido” e realizado pelas forças militares por terra, pelo espaço aéreo e pelo mar. Ele deixou claro que os EUA vão administrar a Venezuela por um período interino, até que seja feita uma transição “adequada, justa e legal”.
Trump enfatizou, ainda, que o governo norte-americano está preparado para novas ofensivas, mas que diante do êxito da operação observada nesta madrugada, não acha que será necessário nenhum outro ataque.
O presidente não escondeu o interesse de empresas dos EUA entrarem na exploração de petróleo venezuelano. Durante todo o tempo, ele se referiu a Nicolás Maduro como “chefe de um grupo narcotraficante” e disse que esse grupo, além de ser responsável por várias gangues e ter estimulado a violência nos Estados Unidos, resultou em milhares de mortes. Acentuou que existem evidências concretas de várias dessas atividades, que serão apresentadas no momento correto, junto à Justiça.
“Ampliação do domínio americano”
O presidente norte-americano anunciou a entrada de petroleiras do seu país em solo venezuelano e disse que ampliará “o domínio americano no Hemisfério Ocidental”. Conforme explicou Donald Trump, sem dar muitos detalhes, “os Estados Unidos assumirão o governo da Venezuela através de um ‘grupo’ que está sendo designado até que haja a transição de poder”.
O presidente norte-americano não informou, no entanto, nem como e nem quando isso ocorrerá. Disse apenas que divulgará em breve os integrantes dessa equipe. “Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, frisou, ao falar sobre esse período de transição.
Invocação da Doutrina Monroe
Em sua fala, Trump invocou a chamada Doutrina Monroe, política que os EUA estabeleceram em 1823 para ampliar influência na América Latina e reivindicar a soberania de Washington sobre o Ocidente.
E afirmou que “sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”. Acrescentou, logo depois que os EUA, sob sua gestão, estão “reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa em nossa região”.
Petrolíferas norte-americanas
Sobre o petróleo, Trump deixou claro que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela e que essas áreas, segundo ele antes explorada por indústrias dos EUA, teriam sido “roubadas, décadas atrás, pelo governo venezuelano”.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país”, afirmou. “Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (…). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças”, acrescentou.
Congresso só foi informado depois
Questionado se o Congresso norte-americano tinha conhecimento da operação — conforme prevê a Constituição dos EUA — Trump respondeu que o secretário de Estado informou a membros do Congresso sobre os ataques após a ação porque, caso contrário, “eles a vazariam”, mas também evitou entrar em mais detalhes.
Em relação ao destino de Nicolás Maduro, declarou que, como há múltiplas denúncias por crime em curso na Justiça de Nova YorK, será responsabilidade do judiciário decidir onde ele ficará detido até a data do julgamento.
Ataque seria no dia 31
Trump revelou que assistiu à prisão de Maduro ao vivo por meio das filmagens dos militares durante o ataque à Venezuela, estava inicialmente estava previsto para acontecer na última quarta-feira (31/12), ainda em 2025, mas foi adiado em função de condições climáticas.
Ele admitiu que chegou a falar com Maduro uma semana atrás. De acordo com sua versão, Maduro tentou negociar uma saída pacífica do poder, mas ele [Trump] não aceitou. “Depois de todo esse tempo eles quiseram negociar, mas eu não quis”, disse.
— Com informações de Agências de Notícias


