Por Hylda Cavalcanti
Durante pronunciamento feito na tarde deste sábado (03/01), pela rede pública de televisão e rádio, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, conclamou toda a população venezuelana a resistir a uma intervenção dos Estados Unidos.
Ela pediu calma a todos, disse que Nicolás Maduro continua sendo “o único presidente do país”, chamou a captura dele pelo governo dos EUA de “sequestro” e enfatizou que “a Venezuela nunca será colônia de nenhuma nação”.
O pronunciamento de Delcy foi feito em Caracas, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez (que é seu irmão), do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e dos titulares das pastas das Relações Exteriores e da Defesa.
“Prontos para defender o país”
Delcy reiterou como “gravíssima” a agressão militar dos Estados Unidos, depois que foram registradas explosões e o sobrevoo de aeronaves em Caracas e em outras partes do país. E frisou que o governo está “pronto para defender a Venezuela”.
“Nós estamos prontos para defender a Venezuela, nós estamos prontos para defender nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional”, afirmou. O pronunciamento aconteceu poucas horas depois da fala de Donald Trump na qual ele anunciou que os EUA iriam comandar provisoriamente a Venezuelana e criar um grupo de transição para o país.
Trump chegou a dizer que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, vem dialogando com Delcy sobre a transição e que ela estaria “disposta a fazer o que for preciso”, mas a informação não foi mencionada pela vice-presidente venezuelana.
Posse secreta?
Apesar de o jornal The New York Times ter informado numa reportagem que fontes teriam confirmado que Delcy tomou posse como presidente interina da Venezuela numa cerimônia secreta, ela reforçou de forma veemente: “O presidente deste país continua sendo Nicolás Maduro”.
Delcy, apesar de ter o cargo de vice-presidente, integra, ao lado do ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino López, e do ministro do Interior, Diosdado Cabello, um trio que é considerado o mais influente dentro do chavismo (movimento liderado pelo ex-presidente já falecido Hugo Chaves, antecessor de Nicolás Maduro). Há mais de uma década, os três ocupam cargos-chave no governo não como simples representantes, mas como figuras com peso próprio no processo de tomada de decisões.
Conforme informações de analistas políticos, são também os nomes que agora aparecem com mais força para assumir o poder na Venezuela, caso os Estados Unidos se deem por satisfeitos com a detenção de Maduro e não pressionem ainda mais por uma mudança total de regime.
— Com Agências de Notícias


