Por Hylda Cavalcanti
Um misto de emoção, abraços solidários e ansiedade por parte dos familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes marcaram a entrevista coletiva que concederam antes do início do julgamento dos mandantes do assassinato da Veradora do Rio de Janeiro. Uma das mais emocionadas, a mãe de Marielle. dona Marinete da Silva fez um desabafo. “São quase oito anos de espera. Toda mãe sabe como é a dor de uma mãe, não acaba nunca. Mas a gente segue até aqui para falar sobre a importância do júri desses homens, que jamais imaginavam, pelo poder que tinham, que um dia viriam a ser julgados”.
No mesmo tom, o pai da vereadora, Antonio Francisco da Silva Neto, enfatizou: “Hoje vai ser um dia primordial. Nennhum dos que estão no banco dos réus deu uma chance de defesa para Mariele, no entanto eles estarão sendo julgados com grandes e caras bancas de advogados para defendê-los pelo crime bárbaro que cometeram.
Sem comemorações
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, destacou que o dia é importante e de alívio, mas sem comemorações. “Não tem comemoração. Marielle e Anderson não serão trazidos de volta. Mas sabemos que o que está acontecendo aqui, de depois de tantos anos termos o julgamento dos mandantes do crime ainda é uma exceção”.
“Por isso, esse julgamento não é uma resposta apenas em relação aos casos de Marielle e Anderson, mas uma resposta à democracia e à luta por justiça. Achavam que o corpo da minha irmã seria um corpo descartável, como tantos outros têm sido ao longo dos anos”, acrescentou.
Marco para o Brasil
A filha de Marielle, hoje presidente da ONG Marielle Franco, Luyara Franco, disse que, como filha, considera a data um marco de um novo Brasil para o Estado e a sociedade brasileira. “Todos queremos dizer que a Justiça aconteceu e que os assassinatos de minha mãe e de Anderson não fiquem impunes”, frisou.
A atual vereadora do Rio de Janeiro e viúva de Marielle, Mônica Benício, afirmou que o caso não teria sido esclarecido se não fossem a pressão social e da mídia. “Esse crime mostrou bem o mundo obscuro e as conexões existentes entre a política, os poderosos, muitas instituições e o crime organizado”, acusou.
Também a esposa de Anderson Gomes, Agatha Reis se pronunciou. Agatha destacou que o julgamento é uma forma de mostrar que quem ordena crimes também pode ser condenado e preso. “Vamos obter, finalmente, a resposta que tanto esperávamos”, acentuou.


