O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evita deliberar sobre a abertura de CPIs que investigariam o Banco Master, mesmo com pressão crescente da oposição e da sociedade. Para ganhar tempo, ele tem esvaziado a agenda legislativa e aguarda uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevista para ocorrer ainda nesta semana, antes de se posicionar.
A estratégia de adiamento coincide com o calendário eleitoral, que já começa a dominar as articulações políticas no Congresso. Aliados de Alcolumbre esperam que qualquer definição ocorra somente após o Carnaval, o que diminuiria a janela de funcionamento de comissões parlamentares de inquérito em 2026.
Pressão por CPI cresce após operação da PF no Amapá
A mobilização por investigações se intensificou depois de uma operação da Polícia Federal, no último dia 6, contra a Amprev (Amapá Previdência), que investiu recursos no Banco Master. A entidade é presidida por Jocildo Silva Lemos, aliado de Alcolumbre e ex-tesoureiro de sua campanha. O caso pode provocar prejuízos significativos ao fundo de previdência dos servidores estaduais.
Em nota, Alcolumbre declarou apoiar que os fatos sejam apurados com rigor, respeitando o devido processo legal, mas não se manifestou sobre os pedidos formais de CPI. Ele também não marcou sessões deliberativas no Senado nesta semana, estratégia que evita o avanço da pauta investigativa.
Oposição mira CPI mista, mas governo e Alcolumbre travam processo
Há atualmente três pedidos de CPI sobre o caso Master: um no Senado, protocolado por Eduardo Girão (Novo-CE); um pedido de CPI mista, encabeçado por Carlos Jordy (PL-RJ); e outro na Câmara, assinado por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A instalação da CPI mista depende de uma sessão do Congresso, que precisa ser convocada por Alcolumbre.
Parlamentares da oposição afirmam que a próxima sessão do Congresso deveria, obrigatoriamente, instalar a comissão mista. No entanto, há forte expectativa de que essas sessões não aconteçam tão cedo — tanto por interesse do governo quanto pela condução de Alcolumbre. O Planalto também quer evitar que o Congresso vote o veto de Lula ao projeto de dosimetria, que beneficiaria aliados de Jair Bolsonaro.
Câmara trava investigações e oposição ameaça acionar STF
Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) descartou a abertura da CPI do Master, sob alegação de que há outras comissões na fila. Ele afirmou que, por regimento, apenas cinco podem funcionar simultaneamente. Desde 2023, nenhuma nova CPI foi instalada na Casa.
Rodrigo Rollemberg, autor do requerimento, anunciou que pretende acionar o STF caso Motta mantenha a recusa. A oposição acredita que a CPI no Senado tem mais chances de avançar, já que Alcolumbre teria maior controle sobre sua composição e funcionamento.
Governo e oposição disputam foco das investigações
A disputa em torno das CPIs revela os diferentes alvos das forças políticas. A esquerda tenta usar as investigações para atingir adversários, como o governador Ibaneis Rocha (MDB), o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ligado ao dono do Master.
Já a oposição pretende focar em figuras próximas ao governo, como os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que prestou consultoria ao Master.
Comissão de Assuntos Econômicos acompanha caso, mas sem poder de investigação
Enquanto isso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), criou um grupo para acompanhar o caso. No entanto, a CAE não possui prerrogativas de uma CPI, como poder de convocação compulsória ou quebra de sigilos.
O presidente do PT, Edinho Silva, declarou que o partido é favorável à CPI, mas alertou sobre o risco de “politização” das investigações em ano eleitoral. Nos bastidores, governistas preferem evitar a instalação das comissões.
“Queremos proteger o sistema financeiro brasileiro […] O que somos contra é transformar investigação em instrumento de luta política”, disse Edinho à imprensa


