Trump apresenta sobretaxas agora proibidas pela Justiça

Brasil autoriza abertura de processo para retaliar tarifaço dos EUA

Há 6 meses
Atualizado sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou nesta quinta-feira (28) o início de procedimentos para aplicar medidas de reciprocidade comercial contra os Estados Unidos, em resposta ao pacote de tarifas anunciado pelo presidente americano Donald Trump. A decisão representa uma escalada na tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas e marca a primeira grande retaliação do governo brasileiro às políticas protecionistas da nova administração americana.

Por determinação presidencial, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) já acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), para abrir um processo formal de investigação que fundamentará as medidas retaliatórias. O governo brasileiro deve comunicar oficialmente esta decisão à administração Trump ainda nesta sexta-feira (29), segundo fontes do Planalto.

As medidas de retaliação terão como base principal a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2024 e sancionada por Lula na mesma época. A legislação facilita a aplicação de tarifas sobre exportações de países que adotarem práticas comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil, além de permitir a suspensão de concessões comerciais bilaterais anteriormente acordadas.

Processo formal de retaliação

Segundo informações apuradas pelo jornal Valor Econômico, o Itamaraty já apresentou à Camex, no final da tarde desta quinta-feira, os argumentos técnicos e jurídicos que embasam a necessidade de retaliação contra as políticas comerciais americanas. A Câmara de Comércio Exterior tem prazo de até 30 dias para analisar a documentação apresentada pelo MRE e decidir se aceita ou rejeita o pedido de abertura do processo investigativo.

Caso a Camex aprove a abertura do processo, será constituído um grupo ministerial intersetorial encarregado de definir quais medidas de retaliação específicas poderão ser adotadas pelo Brasil. Este grupo deverá avaliar diferentes setores da economia e identificar produtos americanos que possam ser alvo de tarifas adicionais ou restrições comerciais, buscando causar impacto proporcional aos prejuízos estimados para as exportações brasileiras.

O processo brasileiro seguirá moldes similares à investigação que o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou contra o Brasil há alguns meses, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Como parte do procedimento, o governo brasileiro também convidará as autoridades americanas a se pronunciarem sobre a investigação, garantindo ampla oportunidade de defesa à administração Trump.

Lei de Reciprocidade e seus instrumentos

A Lei de Reciprocidade aprovada em abril de 2024 representa um marco na política comercial brasileira, fornecendo ao governo federal instrumentos legais mais robustos para responder a práticas comerciais consideradas desleais por parte de outros países. A legislação havia permanecido parcialmente pendente de regulamentação até recentemente, quando o Palácio do Planalto editou decreto completando sua implementação.

Entre os principais instrumentos previstos na lei estão a imposição de tarifas adicionais sobre produtos importados de países que adotem medidas discriminatórias contra exportações brasileiras, a suspensão de benefícios comerciais concedidos anteriormente e a aplicação de medidas não-tarifárias como quotas de importação ou exigências técnicas mais rigorosas.

A lei também estabelece critérios objetivos para caracterizar práticas comerciais prejudiciais ao Brasil, incluindo a imposição unilateral de tarifas discriminatórias, a criação de barreiras técnicas injustificadas, a adoção de medidas sanitárias ou fitossanitárias desproporcionais e o uso de subsídios que distorçam o comércio internacional.

Contexto das tensões comerciais

A decisão brasileira de ativar a Lei de Reciprocidade surge como resposta direta ao pacote de medidas protecionistas anunciado por Donald Trump logo após sua posse para o segundo mandato presidencial. As tarifas americanas atingem diversos produtos brasileiros importantes, incluindo commodities agrícolas, produtos siderúrgicos e manufaturados, setores fundamentais para a balança comercial do país.

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos vinham experimentando um período de relativa estabilidade durante o governo Biden, com ambos os países buscando fortalecer laços comerciais e de investimento. A mudança de administração em Washington e o retorno de Trump ao poder trouxeram de volta as políticas “America First” que já haviam gerado tensões durante seu primeiro mandato.

Especialistas em comércio internacional destacam que a ativação da Lei de Reciprocidade pelo Brasil marca uma mudança na postura tradicionalmente mais conciliatória do país em disputas comerciais, sinalizando disposição para adotar medidas mais assertivas quando necessário.

Autor

Leia mais

STJ dá prazo para debate sobre fracking, que divide ambientalistas e setor energético

Há 7 minutos

Mendonça garante sigilo nas visitas de advogados a Daniel Vorcaro na prisão

Há 32 minutos

AGU pede abertura de inquérito para investigar vídeos que simulam violência contra mulheres no TikTok

Há 12 horas

Em caso de dúvida sobre autenticidade de provas digitais, é necessária a realização de perícia, decide STJ

Há 12 horas

OAB vai pedir ao STF acesso às investigações do Banco Master

Há 14 horas

TST considera válida escala 2x2x4 e destaca importância de se  garantir a validade das normas coletivas

Há 14 horas
Maximum file size: 500 MB