Da redação
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deu um passo significativo rumo ao fortalecimento dos direitos humanos no país. Durante a 1ª Sessão Ordinária desta terça-feira (10/2), o plenário do órgão aprovou o encaminhamento da proposta de alteração da Recomendação 123/2022, que cria o Estatuto da Magistratura Brasileira Interamericana e atualiza as diretrizes sobre a atuação dos juízes brasileiros em relação ao sistema interamericano de direitos humanos.
Sob relatoria do ministro Edson Fachin, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), a proposta foi aprovada como diligência e agora ficará disponível para análise dos tribunais e conselhos de todo o país. Após essa fase de consulta e avaliação das especificações técnicas, o texto retornará à pauta do plenário para julgamento definitivo.
Compromisso com normas internacionais
Segundo o CNJ, o Ato Normativo nº 0008886-41.2025.2.00.0000 representa um reforço ao compromisso do Poder Judiciário brasileiro com as normas internacionais de direitos humanos e com a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH).
O Estatuto, que será anexado à Recomendação, estabelece diretrizes para a magistratura nacional. Entre as principais determinações, está a obrigatoriedade de os juízes brasileiros observarem os tratados e convenções em vigor no país, aplicando-os conforme a jurisprudência interamericana.
Além disso, o documento determina que processos relacionados à reparação de vítimas de violações de direitos humanos devam receber tratamento prioritário no sistema de justiça. A iniciativa foi concebida como um instrumento de referência para juízes e operadores do direito, reforçando o dever constitucional de harmonização entre a jurisdição nacional e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Inspiração em protocolos anteriores
O texto da nova recomendação segue a linha de outros protocolos já implementados pelo CNJ, como os protocolos de julgamento com perspectiva de gênero e raça.
O documento enfatiza a centralidade das vítimas nos processos judiciais e ressalta a necessidade de reparação integral em casos de violações aos direitos humanos.
Com essa medida, o CNJ busca garantir que o sistema de justiça brasileiro esteja plenamente integrado ao sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, promovendo uma aplicação mais efetiva das normas internacionais no cotidiano forense nacional.


