A Corregedoria Nacional de Justiça ouviu nesta segunda-feira uma possível nova vítima em apuração que envolve o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, e instaurou uma nova reclamação disciplinar para investigar fatos semelhantes aos que já são analisados pelo órgão.
O depoimento foi confirmado em nota oficial divulgada pela Corregedoria, vinculada ao Conselho Nacional de Justiça. Segundo o comunicado, o órgão segue realizando diligências e apurando condutas atribuídas ao magistrado, a partir de relatos considerados análogos aos já existentes em procedimento em curso.
Nova apuração amplia investigação em andamento
De acordo com o CNJ, a oitiva ocorreu nesta segunda-feira e resultou na abertura de um novo procedimento disciplinar. A Corregedoria não detalhou o conteúdo do depoimento, destacando apenas que a apuração corre sob sigilo, como previsto nas normas do conselho.
O caso original veio a público na semana passada, quando uma mulher de 18 anos denunciou ter sido assediada pelo ministro em uma casa de praia em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A família da jovem, que mantinha relação de proximidade com o magistrado, decidiu levar o relato às autoridades.
STF e STJ também acompanham o caso
Além do CNJ, o Supremo Tribunal Federal também abriu procedimento relacionado às acusações. No âmbito administrativo, o próprio Superior Tribunal de Justiça instaurou sindicância interna para apurar a conduta do ministro.
Desde que as denúncias se tornaram públicas, Marco Buzzi se afastou das funções e está de licença médica. Ele permanece internado em um hospital em Brasília, segundo informações divulgadas nos últimos dias.
Primeira vítima já havia sido ouvida
A primeira denunciante prestou depoimento à Corregedoria na semana passada. Segundo apuração do UOL, a jovem demonstrou nervosismo durante a oitiva, mas afirmou que decidiu levar o caso adiante apesar de o acusado ocupar um dos cargos mais elevados do Judiciário.
A expectativa, nos bastidores, é que o processo administrativo possa resultar em punição severa, incluindo a aposentadoria compulsória, a depender do desfecho das investigações.
Defesa critica procedimento e vazamentos
Em nota, os advogados do ministro afirmaram que ainda não tiveram acesso aos autos no CNJ, apesar de já terem solicitado habilitação formal. A defesa criticou o que chamou de vazamento de informações sigilosas e a divulgação de dados que, segundo os advogados, ainda não foram devidamente verificados.
Outro ponto questionado foi a realização do depoimento sem a presença do ministro ou de representantes legais. Para a defesa, a medida violaria regras internas do CNJ e comprometeria a regularidade do procedimento disciplinar.
Magistrado nega irregularidades
Ainda de acordo com os advogados, Marco Buzzi nega ter cometido qualquer ato impróprio. A defesa sustenta que não há base jurídica ou factual para julgamentos antecipados e afirma que os fatos serão esclarecidos no momento oportuno, dentro dos procedimentos já instaurados.
O CNJ não comentou as críticas apresentadas pela defesa e reforçou que as apurações seguem em curso, com observância do devido processo legal e das garantias das partes envolvidas.


