Acidente é o mais grave em mais de uma década e ocorreu em linha de alta velocidade na região de Córdoba
Pelo menos 21 pessoas morreram e outras 73 ficaram feridas, 24 delas em estado grave, após dois trens de alta velocidade colidirem na noite deste domingo (18), no município de Adamuz, na província de Córdoba, sul da Espanha. Segundo as autoridades, esta é a pior tragédia ferroviária do país desde 2013.
O acidente ocorreu às 19h45, horário local, quando o último vagão de um trem descarrilou e invadiu a via contrária, sendo atingido por outro trem que seguia em sentido oposto. A colisão causou o descarrilamento dos dois primeiros vagões do segundo trem.
Choque entre trens surpreende autoridades
De acordo com o ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, o acidente foi considerado “extremamente estranho”, uma vez que ocorreu em um trecho reto da ferrovia recentemente reformado. “Todos os especialistas consultados estão perplexos”, declarou Puente, que também afirmou que o trem envolvido no primeiro descarrilamento tinha poucos anos de uso.
O primeiro trem, operado pela empresa privada Iryo, fazia o trajeto entre Málaga e Madrid. Cerca de 300 passageiros estavam a bordo. O segundo, pertencente à operadora estatal Renfe, vinha de Madrid e seguia para Huelva, no sudoeste do país. A quantidade de passageiros no segundo trem ainda não foi divulgada.
Equipes de resgate ainda buscam desaparecidos
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram passageiros deixando vagões destruídos pelas janelas e usando lanternas para encontrar seus pertences no escuro. Equipes de emergência montaram um posto médico avançado no local e fizeram um apelo urgente por mais médicos para atender os feridos.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, expressou solidariedade às vítimas e classificou o domingo como uma “noite de profunda dor para o país”. O governo regional da Andaluzia coordena os esforços de resgate com apoio de bombeiros e equipes médicas de Córdoba.
Investigações estão em andamento
Uma comissão independente foi criada para investigar as causas do acidente. Embora não haja indícios claros até o momento, as autoridades não descartam nenhuma hipótese. A empresa Adif, responsável pela infraestrutura ferroviária da Espanha, suspendeu os serviços de trem de alta velocidade em várias rotas no sul do país, incluindo Córdoba, Sevilha, Málaga e Huelva.
Óscar Puente afirmou que, caso o segundo trem não estivesse na via, provavelmente não haveria vítimas fatais. O governo estuda manter a interdição do trecho afetado por mais tempo, para facilitar a remoção dos vagões e aprofundar a investigação.


