Por Hylda Cavalcanti
Se não surgirem imprevistos ou mudança de posição por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono do Banco Master, a próxima semana será de tomadas de depoimentos e expectativas de obtenção de informações que possam ajudar a esclarecer questões tanto junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como no mercado financeiro como um todo em relação às irregularidades cometidas pelo banco.
Vorcaro foi convidado, e aceitou, depor na próxima segunda-feira (23/02) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e de, no dia seguinte (24/02), participar de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). No caso da CAE, para falar com os integrantes do subgrupo instalado lá, cujo objetivo é apurar as operações do Master.
Acordo fechado, dizem
Segundo informou o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, ele topou participar e prometeu não apresentar pedido de habeas corpus para ser liberado desse compromisso, contanto que as perguntas a serem feitas pelos integrantes da comissão sejam estritamente relacionadas aos problemas do INSS. Acordo que já foi firmado com todos os integrantes da CPMI.
Já em relação à CAE, alguns senadores da comissão afirmam que ele apenas comunicou que participará da audiência, mas ninguém duvida que sua presença dependerá muito dos ânimos e do ambiente que encontrar na CPMI, no dia anterior.
Aposentados e pensionistas
Na CPMI do INSS, ele vai ser interrogado apenas sobre os descontos não autorizados de aposentados e pensionistas por empresas e entidades de aposentados que fizeram aplicações no Banco Master.
De acordo com o senador Carlos Viana, são mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados vinculados ao banco — e com irregularidades, ou seja, contratações e descontos sem autorização. Os senadores querem saber também se foram tomadas medidas por parte da ex-instituição financeira para garantir o ressarcimento.
Vorcaro disse a aliados que está disposto a prestar esclarecimentos nas duas comissões, o que chegou a surpreender muitos políticos, porque marca uma mudança de postura de sua parte. Na CAE, o debate tem como foco as relações do ex-banqueiro com autoridades e nomes influentes da política nacional.
Muito a contar na CAE
O subgrupo instituído para investigar o caso já teve reuniões reservadas com representantes do Banco Central, do Tribunal de Contas da União (TCU), da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF) em busca de subsídios técnicos para orientar os trabalhos e a oitiva do banqueiro.
Depois das denúncias mais recentes contra o empresário, o clima é de muita expectativa, dúvida e até certa tensão sobre o cumprimento destas agendas. A última denúncia, foi de que ele realizava festas numa casa em Trancoso, na Bahia, com autoridades diversas e com a presença de prostitutas que contratava — eventos esses nos quais gravava todas as conversas, conforme divulgou reportagem da revista Liberta.
A outra, anunciada na semana passada, de menções feitas por ele em mensagens obtidas no seu celular, ao ministro Dias Toffoli, do STF — caso que provocou uma crise no STF e acabou levando o magistrado a entregar a relatoria do processo sobre o caso para outro colega, o ministro André Mendonça.
Relações enraizadas
É importante lembrar também que outros dois pedidos de CPI tramitam na Câmara dos Deputados com o mesmo objetivo de investigar o caso Master, mas não apenas pela CAE. Um deles, como uma CPI a ser instalada apenas da Câmara. Outro, por meio de uma CPI mista, envolvendo deputados e senadores.
Certo mesmo, é que as irregularidades cometidas pelo Master envolvem muitos meandros e têm, no seu bojo, a implicação de pessoas importantes no país.Vorcaro tem muito a dizer, inclusive sobre parlamentares com quem sempre manteve bom relacionamento, assim como outras autoridades. O que ele vai dizer e o que pretende omitir é que estão sendo motivos de apostas, preocupações e ansiedade desde já.


