Vice de Maduro afirma que país jamais voltará a ser colônia e acusa Washington de buscar controle dos recursos naturais
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu oficialmente neste sábado (3) o cargo de presidente interina do país, após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por forças militares dos Estados Unidos. A posse ocorreu poucas horas após decisão da Câmara Constitucional da Suprema Corte venezuelana, que autorizou a transferência provisória do poder.
Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal venezuelana, Rodríguez adotou um tom desafiador diante da ofensiva americana. Ela classificou a operação liderada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como uma “agressão militar sem precedentes” e afirmou que o objetivo real da ação seria promover mudança de regime e apropriação dos recursos energéticos e minerais da Venezuela.
“Nunca mais seremos colônia”, diz Rodríguez
“Se há uma coisa da qual o povo venezuelano tem certeza é que nunca mais seremos escravos, que nunca mais seremos colônia de nenhum império”, declarou Rodríguez, ao lado de membros do alto escalão do governo chavista.
Estavam presentes no ato seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, além dos ministros da Defesa, Vladimir Padrino López, e do Interior, Diosdado Cabello, considerados os principais pilares de sustentação do governo de Maduro. Outros ministros também compareceram.
A nova presidente interina afirmou que Maduro continua sendo o “único presidente legítimo da Venezuela” e que sua captura pelos EUA configura um “sequestro”. Segundo ela, a comunidade internacional precisa compreender que o objetivo da ação militar foi permitir a exploração do petróleo venezuelano, o maior em reservas provadas no mundo.
Supremo justifica posse para garantir continuidade
A decisão da Suprema Corte que autorizou a posse de Rodríguez destaca que a medida é necessária para garantir a continuidade do Estado e a defesa da soberania nacional. O tribunal informou ainda que avaliará o “quadro jurídico aplicável” diante da ausência forçada de Maduro, capturado em Caracas e transferido para Nova York, onde será julgado.
Rodríguez reforçou que sua gestão respeitará o direito internacional, mas não aceitará imposições estrangeiras. “O único tipo de relação que aceitarei com o governo dos EUA é dentro do marco do direito internacional, depois que atacaram nossa amada nação”, afirmou.
Trump quer transição com liderança americana
Na sexta-feira (2), Donald Trump afirmou que os EUA governarão interinamente a Venezuela até que haja uma “transição segura de poder”. Segundo o presidente americano, um grupo liderado por Marco Rubio (secretário de Estado) e Pete Hegseth (secretário de Defesa) será encarregado de conduzir o processo.
Trump afirmou ainda que empresas dos EUA começarão a explorar o petróleo venezuelano. Em entrevista coletiva, sugeriu que Delcy Rodríguez estaria disposta a negociar com Washington e que ela teria conversado com Rubio. “Ela está disposta a fazer o que for necessário”, afirmou o presidente americano.
Conselho de Segurança da ONU debaterá o caso
A situação da Venezuela será discutida na próxima segunda-feira (5) pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que deve analisar a legalidade da intervenção militar dos EUA e os efeitos para a estabilidade regional. A medida ocorre em meio a críticas de vários países sobre os riscos de um novo precedente geopolítico.


