O mercado financeiro brasileiro viveu um dia amplamente positivo, marcado pela valorização dos ativos locais, queda do dólar ao menor patamar em 21 meses, novo recorde histórico do Ibovespa e recuo dos juros futuros, em meio a um ambiente externo favorável aos mercados emergentes.
O dólar comercial encerrou a sessão cotado a R$ 5,18, com desvalorização de 0,62%, no menor nível desde maio de 2024. O movimento refletiu o enfraquecimento global da moeda americana, alimentado por sinais de menor apetite da China por títulos do Tesouro dos Estados Unidos, além de dados recentes que indicam perda de tração no mercado de trabalho norte-americano.
Fluxo global favorece moedas e ativos de emergentes
Operadores também citaram a intenção do Japão de manter o iene mais valorizado e a redução das apostas em juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos como fatores que pressionaram o dólar no exterior. Nesse contexto, moedas de países emergentes se beneficiaram, incluindo o real, que voltou a atrair fluxo financeiro.
O ambiente externo construtivo também teve impacto direto sobre o mercado de juros no Brasil. As taxas futuras encerraram o pregão em queda, especialmente nos vencimentos mais longos, revertendo parte da inclinação observada nas últimas semanas.
Juros caem apesar de discurso cauteloso do Banco Central
Mesmo após declarações mais conservadoras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a necessidade de calibragem da política monetária, os investidores deram mais peso ao cenário internacional. O recuo das taxas longas indicou maior apetite ao risco e reforçou a percepção de que fatores externos seguem determinantes para a dinâmica dos preços dos ativos domésticos.
Contratos de Depósito Interfinanceiro com vencimentos a partir de 2029 registraram quedas relevantes, sinalizando alívio nas expectativas de longo prazo, em linha com o desempenho observado em outros mercados emergentes.
Ibovespa renova máxima histórica com forte entrada estrangeira
Na bolsa, o Ibovespa voltou a renovar recorde e fechou acima dos 186 mil pontos, com alta próxima de 1,8%. O desempenho foi sustentado pela continuidade do movimento de rotação global de portfólios, que direciona recursos de mercados desenvolvidos para economias emergentes.
Ações de bancos e empresas ligadas a commodities lideraram os ganhos, impulsionadas pela entrada de capital estrangeiro e pela melhora do sentimento global. O índice chegou a operar próximo da máxima intradiária durante boa parte da sessão, refletindo um pregão amplamente positivo.
Destaques do pregão mostram rotação setorial
Entre as ações individuais, papéis do varejo figuraram entre as maiores altas, favorecidos pelo recuo dos juros futuros, enquanto empresas do setor de saúde ampliaram perdas, refletindo ajustes específicos e realização de lucros. O movimento reforçou a leitura de que o mercado segue seletivo, mesmo em um dia de forte valorização do índice.
Ao mesmo tempo, gestores passaram a revisar estratégias. Um dos principais fundos multimercados do país registrou ganhos relevantes com a valorização do real e da bolsa brasileira, ao mesmo tempo em que reduziu a exposição direcional em ações, indicando postura mais cautelosa após a forte alta recente.
Wall Street sustenta bom humor global
O cenário externo seguiu favorável. Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em alta, com destaque para o setor de tecnologia. O índice Dow Jones manteve-se acima dos 50 mil pontos, renovando máxima de fechamento, enquanto investidores aguardam novos dados de inflação e mercado de trabalho ao longo da semana.
A combinação de resultados corporativos resilientes, expectativa de juros menos restritivos e menor aversão ao risco tem sustentado o apetite por ativos de maior risco, beneficiando também mercados fora do eixo central.
Petróleo sobe e riscos seguem no radar
No mercado de commodities, os preços do petróleo fecharam em alta em uma sessão volátil, acompanhando a repercussão das negociações entre Estados Unidos e Irã. Apesar de sinais positivos nas conversas, o mercado segue cauteloso quanto à redução efetiva das tensões geopolíticas, mantendo um prêmio de risco nos preços.


