Secretário de Estado Marco Rubio apresenta proposta de transição que inclui gestão americana sobre receitas do petróleo venezuelano; dois petroleiros foram apreendidos
Horas após a apreensão de dois petroleiros – incluindo um navio com bandeira russa –, o governo dos Estados Unidos intensificou nesta quarta-feira (7) sua atuação na crise venezuelana. O secretário de Estado Marco Rubio apresentou um plano de três etapas para o futuro da Venezuela, no qual o governo americano teria controle direto sobre recursos do país, incluindo a administração da venda de petróleo.
A medida ocorre poucos dias após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro, que estava foragido. A ofensiva militar e diplomática dos EUA, agora, inclui o sequestro de navios que estariam ligados a operações de evasão de sanções e o anúncio de um plano que prevê a substituição da atual liderança interina venezuelana por autoridades subordinadas a Washington.
Apreensão se deu sem confrontos
Segundo o Pentágono, dois navios foram interceptados: um petroleiro com bandeira russa na região do Atlântico Norte, entre Escócia e Islândia, e outro navio, classificado como “sem bandeira”, no Caribe. O segundo estaria envolvido em atividades ilícitas relacionadas ao transporte de petróleo venezuelano.
Ambos os navios não ofereceram resistência à abordagem da Guarda Costeira dos EUA. O governo russo protestou formalmente, alegando que a ação violou o direito internacional. Embora a interceptação tenha ocorrido em águas internacionais, o Ministério dos Transportes da Rússia lembrou que o navio era registrado legalmente e que não havia navios russos escoltando a embarcação no momento do embarque americano.
EUA assumem controle sobre exportações de petróleo
O plano apresentado por Marco Rubio surpreendeu pela amplitude e pela centralização de poder nas mãos de Washington. Entre as medidas anunciadas está a administração direta de 30 a 50 milhões de barris de petróleo venezuelano – equivalente a cerca de dois meses da produção nacional.
Segundo Rubio, o objetivo seria vender esse petróleo no mercado internacional e utilizar os recursos para “estabilizar o país”, sob gestão dos EUA. Não está claro quanto desse valor (estimado entre US$ 1,8 bilhão e US$ 3 bilhões) será repassado ao governo interino venezuelano ou se será reinvestido em infraestrutura e assistência humanitária.
Marco Rubio: “Não estamos improvisando”
“Estamos seguindo um plano, não improvisando”, declarou Rubio a jornalistas em Washington. A proposta também inclui a reintegração da oposição ao governo e a abertura do mercado venezuelano a empresas americanas e ocidentais, em condições consideradas “justas”.
A terceira etapa do plano, segundo o secretário, será a “transição política”, sem especificar datas ou condições para realização de eleições. Congressistas democratas criticaram a falta de clareza e o que consideram uma tentativa dos EUA de “administrar” a Venezuela como um protetorado.
Reações internas e internacionais
Na Venezuela, milícias armadas pró-governo conhecidas como coletivos intensificaram sua presença nas ruas de Caracas, realizando revistas em celulares e interrogando civis sob suspeita de colaboração com os EUA. O ambiente é de insegurança e tensão crescente.
No Congresso americano, o presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que a operação visou apenas “trazer justiça a um criminoso”, referindo-se a Maduro, e negou a intenção de manter tropas em solo venezuelano. Já a deputada Veronica Escobar retrucou: “Isso é sobre petróleo”, ao sair de uma reunião confidencial sobre a operação.
Decisões nas mãos dos EUA
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que os EUA estão em “estreita coordenação” com autoridades interinas venezuelanas e que as decisões serão “ditadas pelos Estados Unidos da América”.
O senador Jared Moskowitz, após participar de um briefing fechado com Rubio, destacou que, embora se fale em eleições, nenhum cronograma foi apresentado. “Todos entendem que isso não vai acontecer imediatamente”, afirmou.


