Da Redação
Andrew Mountbatten-Windsor, filho da rainha Elizabeth II, irmão do Rei Charles III, foi detido nesta quinta-feira (19) em Norfolk após revelações de que teria repassado documentos confidenciais do governo britânico ao criminoso sexual Jeffrey Epstein — tornando-se o primeiro membro sênior da família real britânica a ser preso na história moderna. Segundo a BBC britânica, ele foi detido em Wood Farm, na propriedade de Sandringham e curiosamente no dia em que completa 66 anos de idade.
A prisão
A polícia britânica não mencionou explicitamente o nome de Andrew, sob justificativa de proteger a identidade do preso, mas confirmou que prendeu um homem de aproximadamente 60 anos sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público, mantendo-o sob custódia. O subchefe de polícia Oliver Wright declarou:
“Após uma avaliação minuciosa, agora abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta no exercício de cargo público. É importante que protejamos a integridade e a objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para apurar esta suposta infração.”
A acusação: documentos confidenciais repassados a Epstein
A detenção aconteceu sob a acusação de suspeita de má conduta em cargo público, já que Andrew é investigado pela suspeita de ter compartilhado informações confidenciais com Jeffrey Epstein enquanto ocupava o cargo de enviado comercial do Reino Unido.
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostraram que o ex-príncipe, que estava sujeito às mesmas diretrizes de confidencialidade que os ministros do governo britânico, manteve contato com Epstein durante o período em que atuou como enviado comercial. Segundo um e-mail enviado ao financista com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão. O e-mail é mais um dos documentos incluídos nos arquivos Epstein que sugerem que, em 2010, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Singapura e Vietnã.
A BBC afirmou que, caso o ex-príncipe seja considerado culpado de má conduta em cargo público, ele poderia ser condenado à prisão perpétua.
Uma queda longa e profunda
A prisão desta quinta-feira é o capítulo mais dramático de uma trajetória de declínio que se acelerou nos últimos anos. Andrew atuou como representante especial do Reino Unido para o comércio internacional e investimento por 10 anos, mas foi forçado a sair do cargo em 2011, antes de deixar todos os deveres reais em 2019 — e, em seguida, foi destituído de suas ligações militares e patrocínios reais em 2022 em meio a alegações de má conduta sexual que sempre negou.
Em 2019, após uma desastrosa entrevista à BBC, na qual tentou se esquivar de quaisquer acusações de irregularidades, Andrew renunciou às suas funções reais. Uma humilhação ainda maior se seguiu no ano passado, quando Charles retirou o título de príncipe de seu irmão e o expulsou da propriedade de Windsor, marcando o rebaixamento mais público de um membro sênior da família real britânica desde a crise da abdicação em 1936.
Em outubro de 2025, o Rei Charles III tirou o título de príncipe de Andrew. Com isso, ele perdeu oficialmente todos os títulos reais e passou a ser chamado apenas de Andrew Mountbatten-Windsor.
Virginia Giuffre e as acusações de abuso sexual
Andrew também foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, que morreu na Austrália em 25 de abril de 2025, aos 41 anos. Andrew sempre negou irregularidades. Em 2022, ele encerrou o processo movido por Giuffre, que o acusou de abusar sexualmente dela quando ela era adolescente. A polícia, contudo, deixou claro que não acusou Mountbatten-Windsor de nenhum crime sexual na detenção desta quinta-feira.
Pressão sobre a família real
A família real britânica enfrenta pressão intensa desde a divulgação de documentos ligados ao caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O príncipe William e a princesa Kate Middleton declararam estar “profundamente preocupados” com as revelações. O ex-superintendente chefe da Polícia Metropolitana, Dal Babu, afirmou à BBC que a pressão vinha “crescendo e crescendo” nas últimas semanas.
Antes da detenção, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que “ninguém está acima da lei.” Starmer também declarou que o ex-príncipe deveria testemunhar perante um comitê do Congresso dos EUA para explicar tudo o que sabe sobre Epstein, reforçando o pedido que legisladores americanos haviam feito a Andrew em novembro.
A família real não comentou a prisão até o momento.
Com informações da BBC, CNN Brasil, The Guardian e agências internacionais. Atualizado em 19/02/2026.


