Comitê afirma que Prêmio Nobel da Paz é inseparável do laureado original e não pode ser transferido
A Fundação Nobel e o Comitê Norueguês do Nobel emitiram um comunicado oficial nesta semana afirmando que o Prêmio Nobel da Paz não pode ser transferido, compartilhado ou revogado, após a venezuelana María Corina Machado entregar sua medalha ao ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O gesto simbólico, feito durante encontro na Casa Branca, gerou amplo debate internacional sobre os limites da posse física dos prêmios e o significado histórico da honraria.
O gesto controverso e a reação da Fundação Nobel
María Corina Machado, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 por sua luta pela democracia na Venezuela, apresentou a medalha ao ex‑presidente Donald Trump em janeiro de 2026 durante uma visita à Casa Branca — conforme registro de fotos e declarações de ambos. Trump aceitou o presente e publicou uma foto segurando a medalha, chamando o gesto de “momento maravilhoso de respeito mútuo”.
No entanto, a Fundação Nobel e o Comitê Norueguês do Nobel deixaram claro que, apesar de a medalha ou o diploma físico poderem mudar de mãos, o título de laureado e o prêmio em si permanecem intransferíveis e indissociáveis de quem foi oficialmente anunciado. “O Prêmio Nobel da Paz é inseparável do laureado original”, diz o comunicado publicado pela organização.
O que diz o estatuto do Nobel
Segundo o comunicado do Comitê Nobel, os estatutos e o testamento de Alfred Nobel estabelecem que o prêmio deve ser concedido a indivíduos ou organizações que ofereceram “o maior benefício à humanidade”. Uma vez atribuído, o reconhecimento não pode ser revogado nem redistribuído a terceiros, mesmo que o vencedor deseje doar ou emprestar a medalha e o diploma.
A nota da fundação também relembra que, em algumas situações históricas, laureados optaram por doar seus prêmios ou vendê‑los para fins filantrópicos, mas tais atos não alteram oficialmente quem é registrado como o vencedor do prêmio.
Debate e reações internacionais
A troca da medalha provocou reações variadas no cenário internacional. Políticos noruegueses referiram‑se ao episódio como “absurdo” e “constrangedor”, ressaltando que a prática poderia enfraquecer o prestígio do Nobel da Paz se mal interpretada.
Especialistas em política internacional também comentaram que, embora o gesto tenha sido simbólico, ele não confere a Trump qualquer reconhecimento formal ou histórico como laureado do Nobel — algo reforçado nas explicações oficiais do Comitê Nobel.
O contexto do gesto
Machado afirmou em entrevistas que decidiu entregar a medalha a Trump como forma de gratidão pelo apoio que, segundo ela, ele teria oferecido à causa da liberdade e da democracia venezuelana. Esse gesto ocorreu após a captura do então presidente Nicolás Maduro, num contexto de intensas negociações geopolíticas na região.
Apesar da entrega da medalha, o registro histórico e oficial do prêmio permanece unicamente associado a María Corina Machado como a laureada de 2025, conforme os estatutos do Nobel.


