Os investimentos do governo de Minas Gerais em ações relacionadas aos impactos das chuvas tiveram redução superior a 95% entre 2023 e 2025, segundo dados do Portal da Transparência divulgados pelo Jornal Nacional.
O programa estadual voltado à prevenção, atendimento e recuperação de áreas atingidas passou de R$ 135 milhões em 2023 para cerca de R$ 6 milhões em 2025. A diminuição ocorre em meio ao aumento de alertas e à recorrência de desastres provocados por temporais no estado.
O cenário preocupa moradores de cidades como Juiz de Fora, na Zona da Mata, que figura entre os municípios com maior população vivendo em áreas de risco no país.
Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais aponta que o município ocupa o nono lugar entre as cidades com mais habitantes em áreas suscetíveis a deslizamentos e outros desastres.
Juiz de Fora entre as mais vulneráveis
De acordo com o estudo, pelo menos 130 mil moradores de Juiz de Fora vivem em áreas de encosta, o que representa quase um quarto da população local.
Com as chuvas recentes, moradores relatam medo diante de sinais de instabilidade no solo e risco de novos deslizamentos. Em alguns pontos da cidade, rachaduras surgiram próximas a residências.
A autônoma Kelly Cristina de Barros relatou apreensão após uma trinca aparecer perto de sua casa. Segundo ela, o temor aumenta diante da imprevisibilidade dos temporais.
Queda expressiva no orçamento
Os dados indicam que o programa estadual destinado a ações de prevenção, resposta emergencial e recuperação de áreas afetadas sofreu forte redução orçamentária.
Em 2023, foram destinados R$ 135 milhões para essas iniciativas. Em 2025, o valor caiu para aproximadamente R$ 6 milhões.
Especialistas alertam que a diminuição compromete a capacidade de planejamento e execução de políticas públicas voltadas à adaptação climática e à proteção de populações vulneráveis.
Planejamento e adaptação climática
A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, afirmou ao Jornal Nacional que é necessário tornar as cidades mais permeáveis para absorver a água das chuvas e evitar enchentes.
Ela ressaltou que planos climáticos exigem recursos para serem implementados. Segundo a especialista, sem orçamento não há política pública efetiva.
O debate ocorre em um contexto de eventos climáticos extremos mais frequentes, que ampliam a pressão sobre sistemas de drenagem e áreas urbanas ocupadas de forma irregular.
Posição do governo estadual
Em nota, o governo de Minas Gerais declarou que, ao considerar todos os programas relacionados à área, realizou o maior investimento da história em proteção e defesa civil nos últimos anos.
Segundo o Executivo estadual, mais de R$ 94 milhões foram destinados a 494 municípios mineiros em ações voltadas à proteção e defesa civil.
A divergência entre os números apresentados no levantamento e a posição oficial reforça a discussão sobre critérios utilizados para contabilizar os investimentos.
Moradores deixam áreas sob risco
Em Juiz de Fora, a Defesa Civil orientou moradores de ruas próximas a áreas de deslizamento a deixarem suas casas preventivamente e buscarem abrigos.
A medida ocorre enquanto a região permanece sob alerta de chuva intensa.
A auxiliar de serviços gerais Tainara da Silva Martins, grávida de nove meses, relatou preocupação com a possibilidade de ter de permanecer em abrigo com um recém-nascido e outros três filhos pequenos.
O cenário evidencia o impacto direto das decisões orçamentárias na vida de famílias que vivem em áreas vulneráveis e dependem de políticas públicas de prevenção e resposta a desastres.


