Presidente brasileiro defendeu paz na América Latina e cobrou diálogo, sem mencionar país responsável pela ofensiva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou neste sábado (3) sobre os ataques que abalaram a Venezuela durante a madrugada, mas evitou citar diretamente os Estados Unidos, país que assumiu a responsabilidade pela operação militar. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Lula condenou qualquer ação militar na região e defendeu a preservação da América Latina como “território de paz”. A nota foi criticada por não se referir diretamente aos EUA ou ao presidente Trump.
A declaração foi publicada horas depois de o presidente dos EUA afirmar que havia comandado “um ataque em larga escala” contra a Venezuela, resultando, segundo ele, na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa. Apesar disso, o comunicado de Lula não traz qualquer referência direta ao governo norte-americano, optando por um tom diplomático mais genérico.
Mensagem apela à paz, sem citar agressores
“A América Latina não precisa de guerra, mas de paz e desenvolvimento. O que está acontecendo na Venezuela é grave”, escreveu o presidente brasileiro. Lula acrescentou que “é preciso restabelecer a normalidade e o diálogo” e apelou para que “as Nações Unidas ajam para que se chegue a um acordo e se encerrem as hostilidades”.
A ausência da expressão “Estados Unidos” na manifestação do chefe de Estado brasileiro chamou a atenção de analistas e veículos de imprensa, especialmente considerando que a ofensiva foi confirmada publicamente por Trump. A omissão foi vista por parte da opinião pública como uma estratégia de preservação das relações diplomáticas entre Brasília e Washington, que vêm sendo conduzidas com cautela pelo Itamaraty desde o retorno de Lula ao poder.
Outras fontes entenderam a timidez do comunicado como uma espécie de passaporte de Lula para a condição de mediador do conflito. Na esquerda, no entanto, a nota provocou mal-estar, ainda mais diante da posição brasileira de não reconhecer a legitimidade do pleito que reelegeu Maduro em 2024.
Itamaraty ainda não divulgou nota oficial
Até o início da tarde de sábado, o Ministério das Relações Exteriores não havia emitido uma nota oficial detalhada sobre os ataques. A única manifestação do governo brasileiro veio por meio do perfil pessoal de Lula no X. A nota, com pouco mais de 300 caracteres, destaca a importância do diálogo e da atuação multilateral, colocando as Nações Unidas como mediadoras do conflito.
Diplomatas ouvidos pela imprensa sob condição de anonimato afirmaram que o Itamaraty avalia a situação com atenção e busca manter canais abertos com todos os atores envolvidos. O posicionamento oficial poderá ser divulgado apenas após reunião de avaliação do cenário internacional.
Reações divergentes na América Latina
Enquanto o Brasil adotou um tom mais moderado, outros países da região foram mais incisivos. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou o ataque como “criminoso” e responsabilizou diretamente os Estados Unidos. Já o colombiano Gustavo Petro afirmou que Caracas estava sendo “bombardeada” e convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.


