O ano de 2025 encerrou com um dado alarmante: o maior número de feminicídios da última década. Segundo informações do Ministério da Justiça, ao menos 1.470 mulheres foram assassinadas no Brasil por motivos ligados à violência de gênero.
Mesmo sem a contabilização dos crimes de dezembro em Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, o total já supera os 1.459 casos de 2024. Trata-se de um aumento de 0,41% em relação ao ano anterior.
O levantamento reforça a média diária de quatro mulheres mortas em contextos de violência doméstica, familiar ou por ódio motivado por gênero — o que se caracteriza como feminicídio.
Norte e Nordeste lideram crescimento dos casos
A escalada de violência teve comportamento desigual entre os estados. Enquanto 15 unidades da federação registraram aumento nos casos de feminicídio, outras 11 apresentaram queda.
As maiores altas percentuais ocorreram nas regiões Norte e Nordeste, historicamente mais vulneráveis em políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Essa disparidade regional também levanta alertas sobre a necessidade de reforçar a rede de atendimento e prevenção à violência de gênero.
Leis mais duras e punições mais severas
Desde março de 2015, o Brasil passou a reconhecer o feminicídio como crime específico, com penas que vão de 20 a 40 anos. Com as alterações de 2024, o feminicídio tornou-se crime autônomo — não apenas uma qualificadora do homicídio — com possibilidade de pena máxima de até 60 anos, a maior do Código Penal brasileiro.
O chamado Pacote Antifeminicídio também trouxe mudanças importantes na Lei Maria da Penha, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal, ampliando os instrumentos de combate à violência contra a mulher.
Luto nacional em memória das vítimas
Em um movimento simbólico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em janeiro uma lei que estabelece o dia 17 de outubro como Data Nacional de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.
A data remete à morte da jovem Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, assassinada em 2008 por seu ex-namorado após mais de 100 horas mantida em cárcere privado em Santo André (SP). O caso, amplamente noticiado à época, marcou o debate sobre violência de gênero no país.
Casos chocantes seguem marcando a sociedade
Mesmo com leis mais duras, crimes com requintes de crueldade continuam a impactar a opinião pública. Um dos casos mais emblemáticos de 2025 foi o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na zona norte de São Paulo.
O motorista, Douglas Alves da Silva, seguiu dirigindo mesmo com o corpo da vítima preso ao carro. Tainara teve as pernas amputadas e faleceu após um mês internada, devido à gravidade dos ferimentos.
Violência de gênero exige ação urgente
Especialistas apontam que os números recordes são reflexo de múltiplas falhas: desde a falta de políticas de prevenção até a dificuldade de acesso a medidas protetivas. A violência de gênero, embora amplamente discutida, ainda exige ações efetivas e contínuas de todos os níveis de governo.
A criação de datas simbólicas e o endurecimento da lei são passos importantes, mas não suficientes para conter a escalada de mortes. A implementação de políticas públicas, investimento em proteção e apoio psicológico às vítimas continuam sendo prioridades.


