Operação Força Integrada:  polícia deflagra ação simultânea contra o crime organizado em 15 estados

Há 1 hora
Atualizado quarta-feira, 18 de março de 2026

Da Redação

Em uma das maiores ações coordenadas de segurança pública do ano, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) deflagraram nesta quarta-feira (18) a Operação Força Integrada. Simultaneamente em 15 estados brasileiros, agentes cumprem 174 mandados de busca e apreensão e 107 mandados de prisão contra organizações envolvidas com tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e atuação de facções criminosas.

A iniciativa reúne policiais civis, militares e penais, guardas municipais, a Polícia Rodoviária Federal, o SENAPPEN e secretarias estaduais de segurança pública — tudo sob coordenação da Polícia Federal, sem hierarquia entre as instituições envolvidas.

O que são as FICCOs e como elas funcionam

Criadas no modelo de força-tarefa, as FICCOs têm como propósito integrar diferentes órgãos de segurança para enfrentar o crime organizado de forma mais eficaz. Atualmente, 39 unidades estão distribuídas por todos os estados da federação e pelo Distrito Federal.

Só em 2025, as FICCOs já realizaram 246 operações, com mais de dois mil mandados de busca e apreensão e mais de 1.500 mandados de prisão cumpridos — números que evidenciam a escala e a frequência das ações.

Das pizzarias de fachada aos aeroportos: os alvos da operação

Cada estado teve sua própria frente de atuação, com investigações que revelam a criatividade das organizações criminosas para ocultar crimes. Em Alagoas, por exemplo, a Operação Última Fatia desarticulou um grupo que usava uma pizzaria como fachada para o tráfico de drogas no município de Satuba, na região metropolitana de Maceió.

Já no Amazonas, a Operação Rastreio investigou o uso do Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, como rota para o escoamento de entorpecentes. Quatro mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva foram cumpridos na capital amazonense.

Bloqueios milionários e conexões com facções nacionais

Entre as ações com maior impacto financeiro, destaque para o Maranhão: a Operação Ictio, da FICCO/MA, mirou uma organização dedicada ao tráfico de cocaína e crack em larga escala na Grande São Luís. O grupo usava empresas fantasmas e bens em nome de terceiros para lavar dinheiro. Resultado: bloqueio financeiro de R$ 297 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e maquinário pesado.

Em São Paulo, a Operação Dry Fall, da FICCO/Campinas, foi além: 34 mandados de busca e apreensão e 37 prisões temporárias foram cumpridos contra uma organização com ligações ao Comando Vermelho (CV). Mais de 100 contas bancárias foram bloqueadas ou sequestradas, com valores que podem alcançar R$ 70 milhões.

Paraná, Rio Grande do Sul e a disputa territorial das facções

No Paraná, a Operação Blue Sky atuou em cinco cidades — Céu Azul, Cascavel, Vera Cruz do Oeste, Matelândia e Foz do Iguaçu — contra uma organização com vínculos ao Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvida com tráfico e crimes violentos ligados a disputas territoriais. Foram 23 mandados de busca e 9 prisões preventivas.

No Rio Grande do Sul, a Operação Célula Oculta, da FICCO/RS, percorreu sete municípios da Serra Gaúcha e do Vale do Rio dos Sinos para desarticular grupo de traficantes, com 18 mandados de busca e apreensão e 11 prisões preventivas cumpridos.

Corrupção e desvio de entorpecentes também na mira

A operação não se limitou ao tráfico de rua. No Espírito Santo, a Operação Turquia II investigou um grupo suspeito de desviar e revender drogas que haviam sido apreendidas pelo próprio Estado — um crime que atinge diretamente a integridade das instituições. Um mandado de afastamento de função pública foi cumprido junto com cinco prisões temporárias.

No Pará, a Operação Custus Legis mirou uma ex-servidora do Tribunal de Justiça investigada por colaborar com organização criminosa. Ela passou a usar tornozeleira eletrônica após cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Outros estados que participaram da operação

Sergipe, Goiás, Bahia, Ceará, Pernambuco e Amapá também integraram a Operação Força Integrada com ações específicas. No Ceará, a Operação Contenção cumpriu 10 mandados de prisão contra autores de crimes violentos considerados risco concreto à ordem pública. Em Goiás, a Operação Corrosão II deu continuidade ao combate ao tráfico e à lavagem de dinheiro, com quatro prisões preventivas em Goiás, Mato Grosso do Sul e Maranhão.

No Amapá, a Operação Invasor teve contornos diferentes: investigou o furto de equipamento de informática de um assessor de senador da República, com cumprimento de mandado de busca e apreensão e recuperação do equipamento.

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