Em meio a uma escalada de tensões diplomáticas, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, reagiu com firmeza às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma série de postagens nas redes sociais, Trump ameaçou cortar completamente o envio de petróleo e recursos da Venezuela para a ilha, além de sugerir uma mudança de regime no país caribenho.
A resposta de Díaz-Canel veio neste domingo (11), por meio de sua conta oficial na rede X. O líder cubano afirmou que Cuba “é uma nação livre, independente e soberana” e que “ninguém dita o que fazemos”. Ele também enfatizou que o país está “pronto para defender a pátria até a última gota de sangue”.
Trump sugere mudança de regime e propõe nome de Marco Rubio
No mesmo dia, Trump intensificou o tom das ameaças ao regime cubano. Em publicações na Truth Social, ele endossou postagens que sugeriam a queda do governo socialista da ilha. Em uma delas, o ex-diretor de discursos da Casa Branca, Marc Thiessen, escreveu que seria “incrível” se Trump conseguisse derrubar o sistema político cubano ainda em 2026.
Trump compartilhou também mensagens de apoiadores que manifestaram esperança de ver o colapso do regime socialista, incluindo uma publicação que mencionava a possibilidade de Marco Rubio, atual secretário de Estado, assumir a presidência de Cuba. “Isso me parece bom”, comentou Trump ao repostar a sugestão.
Corte de petróleo venezuelano agrava cenário de crise em Cuba
Além das ameaças políticas, Trump anunciou que “não haverá mais petróleo da Venezuela nem dinheiro indo para Cuba”, acusando o país caribenho de receber recursos em troca de fornecer serviços de segurança ao governo de Caracas. A medida já tem impactos visíveis: postos de gasolina no porto de Matanzas ficaram fechados nesta semana, e há expectativa de agravamento nos já frequentes cortes de energia.
Segundo dados da petrolífera estatal venezuelana PDVSA, entre janeiro e novembro de 2025, Cuba recebeu cerca de 27 mil barris de petróleo por dia, o que cobria aproximadamente metade do déficit energético da ilha.
Bloqueio histórico e deterioração econômica alimentam tensões
Cuba enfrenta o momento econômico mais difícil desde a Revolução de 1959. O país está sob sanções econômicas dos EUA há mais de seis décadas. O bloqueio comercial imposto desde 1962 inclui medidas como a proibição de navios que atracam em Cuba de entrarem em portos norte-americanos por seis meses, além de restrições a empresas estrangeiras com participação de capital estadunidense.
Em outubro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pela 32ª vez, uma resolução pedindo o fim do embargo. Apenas Estados Unidos e Israel votaram contra. Mesmo assim, as sanções continuam vigorando.
Em artigo publicado no site do governo brasileiro, o professor Fernando Correa Prado, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, afirma que o bloqueio “é uma das causas inegáveis da atual situação”, embora não seja o único fator. Segundo ele, apesar das dificuldades, “não há uma rejeição ampla da sociedade cubana às conquistas da Revolução”.
EUA pressionam por retirada de influência cubana na Venezuela
O governo norte-americano também tem cobrado a retirada de militares e assessores cubanos da Venezuela. A exigência, que se estende a representantes da China, Rússia e Irã, teria sido feita por Marco Rubio à presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
A crise política e energética na Venezuela, aliada ao bloqueio mais rígido dos EUA, contribui para o agravamento da situação cubana, tanto internamente quanto nas relações exteriores. A retórica mais agressiva adotada por Trump marca uma nova etapa de tensão nas já conturbadas relações entre os dois países.


