Por Hylda Cavalcanti
Os trabalhos do Congresso Nacional foram retomados com muita atenção voltada para a investigação relacionada ao Banco Master. Na Câmara dos Deputados, foi protocolado nesta segunda-feira (02/02) mesmo, um pedido para abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de apurar as fraudes cometidas pela instituição financeira. Já no Senado, um grupo de trabalho formado por integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa será criado oficialmente nesta quarta-feira (04/02) para acompanhar as investigações em curso sobre o banco por parte da Polícia Federal.
O pedido na Câmara foi protocolado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) que informou que o objetivo da CPI, em especial, é investigar a negociação estimada em R$ 12 bilhões em títulos e carteiras de crédito entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). Rollemberg aguarda despacho da Presidência da Câmara para leitura em plenário e início do processo formal de instalação.
‘Resposta imediata’
Por meio de nota, o deputado argumentou que a dimensão do caso exige uma resposta imediata do Congresso Nacional. Segundo ele, além do sistema financeiro, o esquema atinge o campo político, envolvendo autoridades estaduais e federais.
“Essa é uma oportunidade histórica para a Câmara dos Deputados se aproximar do desejo da população. É uma obrigação da Câmara instalar essa CPI para investigar aquilo que é o maior escândalo da história do Brasil”, afirmou.
As operações que envolveram a aquisição dos títulos pelo BRB — banco público do Distrito Federal — levantaram alertas em órgãos de controle. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que o Banco de Brasília poderá cobrir eventuais prejuízos de até R$ 5 bilhões.
Outros querem CPMI
Além do pedido de CPI na Câmara, parlamentares articulam, em paralelo, a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso, ou seja, envolvendo em sua composição tanto deputados como também senadores. A iniciativa é liderada pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-AL) e Fernanda Melchionna (PSol-RS) e tem o número necessário de assinaturas de senadores, mas dificuldades para alcançar o apoio mínimo entre deputados.
Na avaliação de Heloísa Helena, a CPMI teria mais autonomia para avançar nas investigações. “A única comissão que é instalada de pronto, sem se submeter às mesas da Câmara ou do Senado, é a comissão parlamentar mista”, informou.
Grupo específico na CAE
A CAE do Senado instalará às 10h de amanhã (04/02) o grupo que atuará junto às fiscalizações em curso. Segundo o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que será um dos integrantes da equipe, a iniciativa “reforça o compromisso do Senado com a transparência e a integridade do sistema financeiro nacional, buscando assegurar que quaisquer irregularidades sejam devidamente apuradas”.
A Polícia Federal vem investigando as operações irregulares realizadas pelo banco, como a suposta fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB), que pode ultrapassar R$ 12 bilhões. O pedido para criação do grupo de trabalho na comissão partiu do presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
— Com informações da Agência Câmara e Agência Senado


