Da Redação
Um empresário de Porto Alegre foi condenado pela Justiça Federal a três anos e nove meses de reclusão por sonegar mais de R$ 4 milhões em impostos federais entre 2008 e 2011. A sentença, publicada na semana passada, identificou o uso de técnicas fraudulentas para ocultar receitas da empresa e enganar a Receita Federal.
A condenação foi resultado de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o empresário, que controlava 98% do capital social da empresa e atuava como seu representante legal. Durante quatro anos consecutivos, ele teria escondido propositalmente os valores que a empresa recebia, utilizando métodos considerados fraudulentos pela Justiça.
A decisão foi proferida pela 22ª Vara Federal de Porto Alegre e representa um marco no combate à sonegação fiscal no Rio Grande do Sul. O empresário responderá em regime aberto e terá a pena de prisão substituída por serviços à comunidade e pagamento de multa.
Como funcionava o esquema de sonegação
Segundo a denúncia do MPF, o empresário utilizou técnicas sofisticadas para esconder dinheiro da Receita Federal. A principal estratégia envolvia o uso de contas bancárias que não eram registradas oficialmente na contabilidade da empresa, uma prática conhecida como “contas não escrituradas”.
Além disso, ele teria aplicado a chamada “contabilização circular” por meio da conta “Caixa”. Esse método consiste em registrar movimentações financeiras de forma confusa e circular para disfarçar a origem real do dinheiro que entrava na empresa. Com essas manobras, conseguiu omitir valores expressivos que deveriam ser declarados ao fisco.
A fiscalização da Receita Federal identificou que o esquema foi mantido de forma deliberada e organizada durante todo o período investigado, descartando a possibilidade de erros contábeis ou desorganização administrativa.
Quais impostos foram sonegados
A investigação apurou que quatro tipos diferentes de tributos federais deixaram de ser pagos corretamente. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) foi o primeiro da lista, seguido pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Também foram omitidos valores referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição para o PIS/PASEP. Somados, esses tributos sonegados chegaram a aproximadamente R$ 4 milhões no período investigado.
Com a aplicação de juros e multas ao longo dos anos, o valor da dívida tributária atualmente ultrapassa R$ 11 milhões. Esse montante será cobrado em processo separado de execução fiscal, independentemente da condenação criminal.
O que diz a sentença judicial
A juíza responsável pelo caso concluiu que as provas documentais apresentadas eram sólidas e demonstravam claramente a materialidade do crime. Os documentos anexados ao processo comprovaram os valores omitidos e as técnicas utilizadas para fraudar o fisco.
Quanto à autoria, ficou provado que o réu era o sócio majoritário da empresa, detendo 98% das ações, além de ocupar o cargo de gerente e representante legal. Essa posição de controle total sobre o negócio demonstrou sua capacidade de comandar as fraudes.
A decisão judicial foi enfática ao afirmar que não se tratava de simples inadimplência por dificuldades financeiras ou falhas técnicas. “Não estamos diante de um mero inadimplemento por dificuldade financeira ou incoerência técnica, mas da utilização de expedientes espúrios e fraudulentos para ocultar a base de cálculo dos tributos”, destacou a sentença.
Penas aplicadas e consequências
O empresário foi condenado a três anos e nove meses de reclusão em regime inicial aberto. No entanto, a pena de prisão foi substituída por duas restrições de direitos, permitindo que ele cumpra a sentença sem ficar encarcerado.
A primeira restrição consiste na prestação de serviços à comunidade ou a alguma entidade pública. A segunda é uma prestação pecuniária no valor de 50 salários mínimos nacionais, que deverá ser paga como forma de reparação à sociedade.
Além dessas penalidades, o condenado terá que pagar 20 dias-multa e arcar com as custas do processo judicial. Ele recorreu da decisão ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e aguarda o julgamento em liberdade.
A importância do combate à sonegação
Casos como este evidenciam o prejuízo que a sonegação fiscal causa aos cofres públicos e, consequentemente, a toda a sociedade. Os tributos sonegados deixam de financiar serviços essenciais como saúde, educação e segurança.
A magnitude do valor envolvido – mais de R$ 4 milhões em impostos omitidos – e a sofisticação das técnicas empregadas mostram que não se tratou de um erro ocasional, mas de uma ação planejada e repetida ao longo de anos.
A condenação serve como alerta para outros empresários que possam estar utilizando práticas similares. A Receita Federal e o Ministério Público têm intensificado as fiscalizações e o combate a fraudes tributárias em todo o país.


