Da redação
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, nesta quarta-feira (4), a deflagração de uma nova fase da Operação Compliance Zero. Por decisão do ministro relator André Mendonça, que acolheu representação formulada pela Polícia Federal, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, quatro medidas cautelares diversas da prisão — entre elas duas suspensões do exercício de função pública — e 14 mandados de busca e apreensão. A operação mira um esquema sofisticado de fraudes financeiras, corrupção institucional e lavagem de dinheiro com ramificações em órgãos públicos de alto nível.
Entre os detidos, está o Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Além das prisões e buscas, o STF também determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras de cinco pessoas jurídicas supostamente utilizadas para a prática de atividades ilícitas e lavagem de dinheiro. O bloqueio de bens, direitos e valores das pessoas físicas e jurídicas investigadas também foi ordenado, ampliando o alcance das medidas adotadas para desarticular o esquema criminoso identificado pela autoridade policial.
Quatro núcleos estruturam o esquema investigado
De acordo com a Polícia Federal, a organização investigada opera por meio de quatro núcleos distintos e complementares. O primeiro é o núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro nacional. O segundo é o núcleo de corrupção institucional, voltado especificamente à cooptação de servidores públicos do Banco Central do Brasil — o que indica infiltração em uma das instituições mais sensíveis da República.
O terceiro núcleo identificado é o de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, que se vale de empresas interpostas para dissimular a origem ilícita dos recursos. O quarto e mais grave núcleo é o de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de pessoas, incluindo adversários concorrenciais, jornalistas, ex-funcionários e autoridades públicas.
A existência desse último núcleo revela uma dimensão especialmente preocupante da organização: além de cometer crimes financeiros, o grupo teria agido ativamente para dificultar investigações e intimidar possíveis testemunhas ou denunciantes, configurando um padrão típico de organizações criminosas de alta complexidade.
Acessos ilegais a sistemas de inteligência nacional e internacional
As investigações também apontam indícios de acessos indevidos a sistemas sigilosos de instituições públicas com competência investigativa — inclusive no âmbito internacional. Entre as entidades cujos sistemas teriam sido acessados ilegalmente estão a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o FBI, dos Estados Unidos, e a Interpol, organização internacional de cooperação policial.
A extensão dos alvos de espionagem ilegal indica que o esquema não apenas operava dentro do Brasil, mas monitorava investigações com alcance transnacional, o que sugere que parte das atividades ilícitas pode ter conexões ou ramificações no exterior. A infiltração em bases de dados de órgãos como FBI e Interpol, se confirmada, representa uma das dimensões mais graves já identificadas em operações desse tipo no país.
A Operação Compliance Zero, conduzida sob supervisão do STF, segue em andamento. Novas informações sobre os alvos, os valores bloqueados e o detalhamento das investigações devem ser divulgadas à medida que as diligências do dia forem concluídas pelas equipes da Polícia Federal.


