Da Redação
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quarta-feira (11) que não vai participar de dois julgamentos importantes: o que decide se o banqueiro Daniel Vorcaro continuará preso e o que trata da instalação de uma CPI para investigar fraudes no Banco Master. A decisão ocorre após a Polícia Federal informar que o nome de Toffoli aparece em mensagens encontradas no celular do próprio banqueiro.
Centrão articula para soltar Vorcaro
Enquanto isso, segundo o blog da jornalista Andrea Sadi, no G1, políticos do centrão articulam nos bastidores do STF a soltura de Vorcaro, temendo que uma prisão prolongada o leve a firmar delação premiada e expor suas relações políticas e financeiras. Interlocutores já mapeiam votos na Segunda Turma para construir maioria favorável à sua liberdade.
Por que Toffoli se afastou
O ministro declarou suspeição — termo jurídico que significa que ele próprio reconhece ter algum impedimento pessoal para julgar o caso com imparcialidade. Na decisão, Toffoli citou “motivo de foro íntimo”, sem detalhar publicamente a razão. A medida vale a partir desta fase do processo.
A ligação entre Toffoli e o caso não é nova. No mês passado, ele já havia deixado a relatoria do inquérito que investiga as fraudes no Master depois que a PF revelou ao presidente do STF, Edson Fachin, que mensagens no celular apreendido de Vorcaro faziam menção ao ministro. O aparelho foi recolhido durante a Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado.
Quem vai julgar a prisão de Vorcaro
Com o afastamento de Toffoli, o julgamento que vai decidir se a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro será mantida ficará nas mãos de três ministros: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. A sessão está marcada para esta sexta-feira (13), a partir das 11h, no formato virtual, pela Segunda Turma do STF.
A prisão de Vorcaro havia sido determinada pelo ministro André Mendonça. Agora, caberá ao colegiado referendar ou derrubar essa decisão.
Resort comprado por fundo ligado ao Master
Outro elemento que conecta Toffoli ao caso é uma propriedade no Paraná. O ministro foi sócio do resort Tayayá, adquirido por um fundo de investimentos com vínculos ao Banco Master — o mesmo grupo investigado pela Polícia Federal.
Esse detalhe reforça o entendimento de que Toffoli teria interesse indireto nos desdobramentos das investigações, o que justificaria o afastamento voluntário dos casos relacionados ao banco.
Zanin assume a relatoria da CPI
Com a saída de Toffoli, o ministro Cristiano Zanin foi sorteado pelo sistema eletrônico do STF para assumir a relatoria da ação que pretende obrigar a Câmara dos Deputados a instalar a CPI do Master. A comissão investigaria as fraudes atribuídas ao banco.
Vale lembrar que, apesar de ter abandonado a relatoria do inquérito principal, Toffoli não havia se declarado impedido para novos processos relacionados ao tema — o que permitiu que o caso da CPI fosse distribuído normalmente entre todos os ministros, até ele se manifestar nesta quarta.


