Declaração ocorre após homem ser baleado por agentes federais em Minneapolis; governo local acusa escalada de tensão causada por operação federal
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira (15) invocar a Lei da Insurreição em resposta às manifestações em Minneapolis, após uma série de confrontos entre agentes federais e moradores. A mais recente escalada ocorreu quando um homem foi baleado na perna por oficiais federais de imigração, episódio que agravou a tensão já presente nas ruas desde a morte de uma manifestante na semana anterior.
Em publicação na rede Truth Social, Trump acusou autoridades locais de não conterem o que chamou de “insurreição” contra agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA). “Se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei… instituirei a LEI DA INSURREIÇÃO”, escreveu, afirmando que está disposto a pôr fim “à tragédia que está acontecendo naquele outrora grande estado”.
Autoridades locais pedem fim da operação federal
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey (Partido Democrata), e o governador de Minnesota, Tim Walz, criticaram duramente a presença dos agentes federais, argumentando que a operação — batizada de Operation Metro Surge — apenas aprofunda o caos nas cidades de Minneapolis e St. Paul.
“Estamos em uma situação insustentável. Estamos tentando proteger as pessoas e manter a ordem, mas essa operação está tornando isso impossível”, afirmou Frey em coletiva na quarta-feira (14). O governador Walz também se pronunciou: “Trump quer violência nas ruas. Mas Minnesota será um exemplo de decência e paz. Não daremos a ele o que quer.”
Clima de confronto e judicialização da operação
A ameaça de Trump ocorre em meio à expectativa de uma decisão judicial que pode limitar drasticamente a atuação do ICE. A juíza federal Kate Menendez deve decidir até sexta-feira (16) se restringe o uso de força não letal, interceptações de motoristas que seguem viaturas federais e prisões de manifestantes que não desobedecem ordens policiais.
Apesar da crítica à operação, Trump elogiou a magistrada, nomeada por Joe Biden, por ter adiado uma decisão mais ampla sobre o processo movido pelo estado contra a ação federal em Minnesota.
Enquanto isso, o Departamento de Segurança Interna (DHS) defendeu seus agentes, alegando que o homem baleado havia agredido violentamente um oficial. Em comunicado, a pasta culpou diretamente o prefeito Frey e o governador Walz: “A retórica de ódio e a resistência contra homens e mulheres que apenas cumprem seu dever precisam acabar.”
Lei da Insurreição e histórico de ameaças
A Lei da Insurreição, de 1807, permite que o presidente dos EUA envie tropas militares para conter distúrbios civis ou rebeliões em território nacional. Trump já havia ameaçado invocá-la em outras ocasiões, como durante protestos contra deportações em massa. Recentemente, a Suprema Corte dos EUA limitou sua autoridade para acionar tropas estaduais sem o aval de governadores.
A proposta de Trump reacendeu o temor de uma escalada federal nos protestos, especialmente após as duras críticas às táticas utilizadas pelos agentes. Vídeos divulgados na quarta-feira mostram agentes disparando bolas de pimenta e gás lacrimogêneo contra manifestantes em áreas residenciais da cidade.
Com a promessa de ampliar as ações de imigração e “restabelecer a ordem”, Trump tenta consolidar apoio entre sua base política conservadora. No entanto, os protestos e as críticas das lideranças locais mostram um cenário tenso e imprevisível, com risco de novos episódios de violência nas próximas horas.


