Em um giro inesperado de postura, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (21) que não irá mais impor tarifas contra países europeus em retaliação à recusa da União Europeia em ceder a Groenlândia aos EUA. O recuo acontece após uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Segundo Trump, foi definida a estrutura de um “futuro acordo com relação à Groenlândia e à região do Ártico”, ainda sem detalhes divulgados. Nas redes sociais, o presidente afirmou que o entendimento será benéfico tanto para os Estados Unidos quanto para todos os países que integram a OTAN.
Europa ameaçava retaliar com bilhões em tarifas
Antes do anúncio do acordo, a União Europeia preparava uma série de medidas econômicas de retaliação, que poderiam afetar mais de US$ 100 bilhões em exportações norte-americanas. O Parlamento Europeu, inclusive, já havia suspendido um acordo comercial em reação à retórica agressiva dos EUA sobre a Groenlândia.
Com o gesto de Trump, as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro foram canceladas. A tensão, no entanto, segue no ar, diante da insistência dos EUA em controlar o território dinamarquês.
Escudo antimíssil e segurança no Ártico
Entre os temas mencionados por Trump está a “Cúpula Dourada”, nome dado a um possível sistema antimíssil a ser instalado na Groenlândia — medida que, segundo ele, também protegeria o Canadá. O presidente afirmou que o escudo seria o “maior” já construído e um pilar da segurança norte-americana e internacional.
Trump delegou a responsabilidade pelas negociações futuras a nomes importantes de seu governo, como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff. Eles devem reportar-se diretamente ao presidente ao longo das tratativas.
Foco na defesa, não em recursos naturais
Horas antes, no mesmo evento em Davos, Trump havia reafirmado o interesse dos EUA na compra da Groenlândia. Embora tenha descartado pela primeira vez o uso da força militar, o presidente manteve um tom de pressão sobre a Europa.
Trump afirmou que o interesse pela Groenlândia não está relacionado à exploração de minérios, mas sim à sua importância estratégica. “Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse ele.
O presidente defendeu que a ilha é parte da América do Norte e que somente os EUA têm capacidade real de defendê-la. “É um pedido pequeno. Queremos um pedaço de gelo e eles não querem nos dar”, ironizou.
Pressão política e insatisfação com a OTAN
Trump aproveitou o momento para criticar a postura dos aliados europeus dentro da OTAN. Reclamou do que chamou de tratamento injusto à potência americana e voltou a questionar se os europeus realmente estariam dispostos a defender os EUA em caso de necessidade.
“Você pode dizer sim e ficaremos muito agradecidos, ou pode dizer não e nós nos lembraremos”, afirmou, repetindo uma frase que já havia causado mal-estar em falas anteriores.
O presidente também argumentou que a manutenção da Groenlândia custa milhões à Dinamarca, e sugeriu que uma negociação poderia beneficiar todas as partes envolvidas. “É muito importante que usemos o local para segurança nacional e internacional. Vamos ver o que ocorre”, concluiu.


