Tumulto na Câmara: Glauber Braga é retirado à força do plenário e jornalistas denunciam agressão

Há 2 meses
Atualizado quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Por Carolina Villela

Uma confusão marcou a sessão do plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), com cenas de violência, interrupção da transmissão oficial e denúncias de agressões contra profissionais de imprensa. O tumulto começou quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em protesto contra o processo de cassação que enfrenta por quebra de decoro parlamentar. O deputado se recusou a sair e foi retirado à força por seguranças legislativos, em meio a empurra-empurra e confrontos físicos.

A transmissão da sessão pela TV Câmara foi interrompida e jornalistas que acompanhavam os trabalhos dentro do plenário foram obrigados a deixar o local. Do lado de fora do plenário, o clima tenso continuou com relatos de agressões físicas contra profissionais de imprensa pela Polícia Legislativa. O episódio gerou repúdio imediato de entidades representativas dos jornalistas e acendeu debate sobre liberdade de imprensa e práticas democráticas no Congresso Nacional.

Hugo Motta defende ação e compara protesto a extremismo

A resposta oficial do presidente Hugo Motta só veio quase uma hora depois de toda a confusão. Em nota publicada nas redes sociais, ele defendeu a ação da Polícia Legislativa e criticou duramente a atitude de Glauber Braga, comparando o protesto do deputado a práticas extremistas. “Quando o deputado Glauber Braga ocupa a cadeira da Presidência da Câmara para impedir o andamento dos trabalhos, ele não desrespeita o presidente em exercício. Ele desrespeita a própria Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo”, afirmou Motta.

O presidente da Câmara traçou um paralelo entre o protesto e atitudes extremistas, afirmando que “o agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica”. Motta declarou ainda que “o extremismo não tem lado porque, para o extremista, só existe um lado: o dele”, em clara crítica aos métodos utilizados por Braga.

“Temos que proteger a democracia do grito, do gesto autoritário, da intimidação travestida de ato político. E é isso que continuarei a fazer: garantir que divergências se expressem com voz, não com vandalismo institucional; com argumento, não com agressão simbólica; com voto, não com invasão da Mesa. Hoje ficou claro: quem tentou humilhar o Legislativo, humilhou a si mesmo”, afirmou.

O presidente afirmou ainda que, “a Câmara não se curvará a esse tipo de conduta. Nem hoje, nem nunca. A minha obrigação, como presidente desta Casa, é proteger o Parlamento”.

Motta também determinou a apuração de possíveis excessos contra a cobertura da imprensa.

Entidades de jornalistas repudiam censura e violência

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram nota conjunta repudiando veementemente o episódio de violência contra profissionais da imprensa e o desligamento do sinal da TV Câmara. As entidades classificaram os acontecimentos como extremamente graves e como um sério atentado a um importante pilar da democracia brasileira.

“A Fenaj e o SJPDF consideram extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Mais grave ainda são os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa, que levam informação sobre o funcionamento da casa legislativa à sociedade brasileira”, afirmaram as entidades no documento oficial.

As organizações cobram explicações do presidente da Câmara, Hugo Motta, e a responsabilização do mesmo e de todos que agrediram jornalistas durante o episódio. As entidades também manifestaram solidariedade aos colegas trabalhadores da imprensa e aos parlamentares que foram agredidos pela Polícia Legislativa ao tentar barrar a votação. “Não podemos admitir que medidas autoritárias, que remontam às vividas em um período não tão distante durante a ditadura militar, sejam naturalizadas e se repitam em nosso Congresso Nacional”, alertaram.

Processo de cassação

Glauber Braga foi acusado pelo partido Novo de ter faltado com o decoro ao expulsar da Câmara, com empurrões e chutes, o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro. A perda do mandato do parlamentar foi aprovada pelo Conselho de Ética em abril, e agora deve ser levado ao plenário para votação final..

Braga afirma que a pena é desproporcional, pois o próprio regimento estabelece a punição de censura verbal ou escrita para atos que infrinjam as regras de boa conduta, para ofensas físicas ou morais e desacato nas dependências da Câmara dos Deputados.

Glauber Braga defende que está sendo vítima de perseguição política por ter denunciado esquemas de corrupção na Câmara, especialmente o orçamento secreto e irregularidades durante a gestão de Arthur Lira. O deputado argumenta que a pena de cassação é desproporcional para o caso que motivou o processo contra ele.

Autor

Leia mais

Moraes mantém prisão de Filipe Martins por descumprimento de medida cautelar

Há 15 horas

TST rejeita recurso de empresa que tentou formalizar acordo com trabalhador com problemas mentais

Há 15 horas
O ex-ministro Celso de Mello com a fachada do STF ao fundo

A defesa da respeitabilidade do STF: compromisso com a República e com o estado democrático de direito – Por Celso de Mello

Há 15 horas

STF e Corte Interamericana assinam acordo para fortalecer cooperação em direitos humanos

Há 16 horas
Gilmar Mendes diz que STF Congresso e Executivo preparam PL anti-embargo

Gilmar Mendes volta a defender Toffoli em caso do banco Master

Há 16 horas

Cármen Lúcia rejeita ação do Solidariedade contra novas regras do saque-aniversário do FGTS

Há 17 horas
Maximum file size: 500 MB