O Senado Federal atingiu o número de assinaturas necessárias para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fraudes e crimes relacionados à liquidação do Banco Master. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisa representações apresentadas por parlamentares que questionam a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, como relator do caso.
A crise institucional envolvendo o sistema financeiro, o Judiciário e o Legislativo se intensifica com novos desdobramentos e suspeitas de conflito de interesse e pressão sobre órgãos de controle.
Senado tem assinaturas para instalação da CPI
A proposta de criação da CPI, apresentada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), já conta com 42 assinaturas — 25 a mais do que o mínimo exigido. Com isso, a expectativa é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), leia o requerimento na primeira sessão deliberativa do ano, marcada para 1º de fevereiro.
A instalação da comissão ocorre em meio a cobranças por apuração independente sobre a atuação de operadores do liquidado Banco Master. Também tramita no Congresso um pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que já alcançou apoio suficiente de deputados e senadores.
PGR apura suspeição de Toffoli após denúncias
Simultaneamente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu quatro representações de parlamentares solicitando que o STF declare a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator do inquérito do Banco Master. A PGR confirmou a existência dos procedimentos, que tramitam em sigilo, mas não detalhou os prazos ou o conteúdo das análises.
O movimento ganhou força após reportagens do Estadão revelarem que irmãos do ministro cederam uma participação milionária no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, investigada por ligações com o Banco Master. A operação envolveu R$ 6,6 milhões, segundo os registros.
Relacionamentos empresariais levantam dúvidas
As suspeitas cresceram quando veio à tona que o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, é proprietário dos fundos que compraram a fatia da família Toffoli. Vorcaro é um dos principais alvos da investigação sobre o Banco Master.
As informações levaram o senador Eduardo Girão a protocolar, no dia 14, uma representação formal junto à PGR solicitando a apuração de eventuais conflitos de interesse ou impedimentos do ministro.
Calheiros denuncia pressão sobre o TCU
Outro elemento que intensifica a crise é a denúncia feita pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Segundo ele, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), teriam pressionado setores do Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a liquidação do Banco Master.
Em entrevista à GloboNews, Calheiros afirmou que a atuação desses parlamentares será alvo prioritário da nova CPI, caso ela seja instalada. O senador, adversário político de Lira em Alagoas, não apresentou provas, mas garantiu que recebeu informações confiáveis sobre a interferência.
CPMIs e disputas políticas aumentam o impasse
Além da CPI no Senado, pelo menos três outras iniciativas semelhantes tramitam na Câmara dos Deputados. Uma delas é liderada por Carlos Jordy (PL-RJ), que já obteve mais de 197 assinaturas — ultrapassando o número mínimo necessário. Outras propostas estão sendo coordenadas pelas deputadas Heloísa Helena (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS), e pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
A abertura das comissões depende agora de decisões políticas dos presidentes das duas Casas, que enfrentam pressão para dar encaminhamento às investigações ainda no início do ano legislativo.


