Por Carolina Villela
Daniel Vorcaro, dono do banco Master, foi transferido nesta quinta-feira (19) do sistema penitenciário federal para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A medida atende decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que está sob sigilo. A movimentação ocorre em meio à expectativa de que o banqueiro esteja negociando os termos de um acordo de delação premiada com as autoridades.
A transferência foi confirmada em nota oficial da PF e se insere no contexto da Operação Compliance Zero, deflagrada em março deste ano. O empresário está preso desde o dia 4 de março, quando Mendonça decretou sua prisão preventiva ao identificar “risco concreto de interferência nas investigações”. A decisão foi posteriormente referendada pelo colegiado da Segunda Turma do STF.
Da Penitenciária ao Complexo Federal
Vorcaro teve uma trajetória de transferências desde que foi detido. No dia 6 de março, ele saiu do Complexo Penitenciário de Potim, no interior de São Paulo, e foi encaminhado à Penitenciária Federal em Brasília. A mudança desta quinta para a sede da PF representa mais um deslocamento dentro do sistema de custódia federal.
No mesmo dia em que a Segunda Turma do STF manteve sua prisão, o banqueiro trocou de defesa e contratou o advogado José Luís Oliveira Lima, nome conhecido nos bastidores jurídicos por atuar em casos de alta complexidade. A escolha de um novo advogado alimentou especulações sobre a abertura de conversas sobre uma possível colaboração premiada. O que poderia ampliar o alcance das investigações e afetar outros envolvidos na suposta estrutura criminosa.
Fraude, Propina e Espionagem de Jornalistas
Daniel Vorcaro é investigado por fraude financeira envolvendo o banco Master, além de suposto pagamento indevido a agentes públicos. Além disso, também está sendo apurada uma suposta estrutura privada criada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.
A Polícia Federal analisou mensagens, documentos e registros de movimentações financeiras que, segundo os investigadores, apontam para uma atuação organizada, com divisão de tarefas entre os envolvidos — o que reforça a tese de uma organização criminosa estruturada, e não de atos isolados.


