Celso Villardi, advogado de Jair bolsonaro, quer anular delação premiada de Mauro Cid

Defesa de Bolsonaro questiona credibilidade de Mauro Cid e aponta contradições

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025


Por Carolina Villela

O advogado de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, voltou a atacar a credibilidade do depoimento de Mauro Cid ao Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez após o sétimo testemunho do ex-ajudante de ordens no âmbito da investigação sobre uma possível trama golpista após as eleições de 2022.

Em declarações à imprensa, o advogado de Bolsonaro ironizou a narrativa apresentada por Cid, classificando-a como vaga e contraditória. O defensor questionou especificamente as menções a eventos que considera imprecisos, como o que chamou de “salão de festas”.

Reunião que “não existiu”

“O salão de festas é uma reunião que não existiu. Toda reunião que ele participou, não aconteceu nada. Ele não sabe de nada, ele não lembra de nada, e quando ele tem contradição, ele esquece”, afirmou o advogado, em tom crítico.

Segundo Vilardi, Cid recorre a uma “memória seletiva” para se esquivar de inconsistências em seus depoimentos. “Ele só lembra de três trechos” e ignora pontos relevantes da apuração, acusou o defensor.

Contestação sobre frase de Bolsonaro

Um dos principais alvos da contestação foi a interpretação dada pelos investigadores à frase “faremos tudo dentro das quatro linhas”, atribuída a Bolsonaro. O advogado rechaçou que a declaração tenha qualquer conotação golpista.

“A frase do delator é ‘o presidente disse que ia fazer tudo dentro das quatro linhas’. Mas, presidente… quando a gente fala que não havia grupos organizados em volta do presidente, só se quis…”, declarou o defensor, interrompendo o próprio raciocínio.

A defesa argumenta que não existem elementos concretos que comprovem uma organização criminosa sob comando de Bolsonaro. “Uma organização criminosa com Copa? Eu acho que não tem”, ironizou, referindo-se ao codinome “Copa 22” mencionado por Cid como parte das alegadas articulações, junto com o suposto plano “punhal verde e amarelo”.

Sete versões diferentes

O advogado também destacou as inconsistências entre os múltiplos depoimentos de Mauro Cid. “Esse é o sétimo depoimento. De novo, diferente. Não tem um depoimento idêntico”, ressaltou.

Segundo a defesa, quando confrontado com possíveis incoerências, Cid costuma alegar esquecimento. “É fácil delatar. Quando você entra para perguntar para ele contradições, ele fala que esqueceu”, alertou o advogado, fazendo uma crítica indireta ao sistema de delações premiadas.

Confiança no desfecho

Apesar das acusações em curso, o advogado demonstrou confiança no resultado final do processo. “Vamos ver o que o tribunal vai dizer no final”, afirmou, sugerindo que não há provas suficientes para envolver diretamente Bolsonaro em tentativas de ruptura institucional.

O defensor mencionou ainda que novos esclarecimentos serão apresentados. “Amanhã ele vai esclarecer aqui”, disse, antes de se despedir da imprensa em tom irônico.

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