Da Redação
O Exército Brasileiro indicou, pela primeira vez na sua história, uma mulher para o cargo de oficial-general. Trata-se da coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, natural de Recife (PE). O fato é considerado um passo marcante na história brasileira e da participação feminina nas Forças Armadas.
Cláudia Cacho é médica pediatra de formação, e ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996. Ela construiu sua carreira na área de saúde militar, com passagens pela direção do Hospital de Guarnição de Natal (RN) e pelo comando do Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS).
Votação secreta
A indicação de Cláudia para o generalato — o grupo de oficiais-generais, que ocupa os escalões mais altos da hierarquia militar — foi aprovada em votação secreta pelo Alto Comando do Exército. Segue, agora, para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve formalizar a promoção por meio de decreto presidencial. Tradicionalmente, a Presidência acolhe as escolhas dos comandantes militares.
A indicação ocorre em um contexto de ampliação gradual da presença feminina nas Forças Armadas. Embora mulheres já integrem o Exército em diversas funções desde a década de 1990, sua participação em patentes de comando superiores tem sido ínfima, refletindo desafios estruturais e culturais dentro da instituição.
Assédios e importunações
Além disso, recentemente a Justiça Militar da União realizou um seminário para preparar melhor as mulheres que integram as Forças Armadas e o Sistema de Justiça devido a constatação de um levantamento, com base em dados de 2023, que do total de mulheres das Três Forças, assim como integrantes dos corpos de bombeiros e polícias federal, civis e militares, mais de 70% sofrem algum tipo de assédio ou importunação sexual.
O posto de general é o mais alto na carreira militar terrestre e envolve responsabilidades estratégicas importantes, como o comando de grandes unidades — brigadas, divisões ou comandos regionais — além do planejamento e condução de políticas de defesa. Agora, o próximo passo para a oficial é a confirmação formal da promoção, que deve ser publicada em decreto presidencial nos próximos dias.
— Com informações da Justiça Militar da União e agências de notícias


