Da Redação
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na noite desta segunda-feira (2) que os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã não devem provocar impactos imediatos na macroeconomia brasileira. A declaração foi feita na Universidade de São Paulo (USP), onde o ministro proferiu uma aula magna para estudantes da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA).
Haddad reconheceu, porém, que é difícil antecipar como o conflito vai evoluir e que o Ministério da Fazenda acompanha o cenário “com cautela”.
Brasil em momento favorável para investimentos, avalia ministro
Para Haddad, o país atravessa uma fase positiva na atração de investimentos estrangeiros, o que serviria de amortecedor diante de eventuais turbulências externas. Segundo ele, mesmo uma instabilidade de curto prazo não seria suficiente para desestabilizar os indicadores econômicos do Brasil — desde que o conflito não se amplie de forma significativa.
O ministro destacou que a dimensão do conflito será determinante para avaliar os riscos. A pasta afirmou estar se preparando para um eventual agravamento do ambiente econômico global, embora considere esse cenário difícil de prever no momento.
Fechamento do estreito de Ormuz acende alerta no mercado de petróleo
O alerta veio mais cedo, quando um comandante da Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz para a passagem de navios, ameaçando incendiar embarcações que tentassem cruzar o local. Trata-se de uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, e qualquer bloqueio prolongado pode pressionar os preços da commodity nos mercados internacionais.
A declaração de Haddad veio justamente em resposta a essa movimentação, sinalizando que o governo federal monitora os desdobramentos, mas ainda não vê razão para alarme imediato sobre a economia brasileira.
Trump prevê “grande onda” de ataques
Já os Estados Unidos sinalizaram uma ampliação significativa de sua participação militar no conflito contra o Irã. O presidente Donald Trump declarou que uma nova e intensa ofensiva está prestes a ser lançada, enquanto Teerã recusou negociações e expandiu seus ataques para países aliados dos EUA na região do Golfo Pérsico.
“A grande onda ainda nem chegou”
Em conversa com a CNN, Trump afirmou que os americanos “ainda nem começaram a atacar com força total”. Segundo ele, o que está por vir será muito mais intenso do que o visto até agora. O presidente também disse que os EUA pretendem apoiar o povo iraniano na retomada do controle do próprio país, pedindo que a população civil permaneça em casa por segurança.
Presidente não descarta envio de tropas terrestres
Diferentemente de outros presidentes americanos, Trump declarou abertamente que não exclui o uso de forças terrestres no Irã, caso seja necessário. Em entrevista ao jornal New York Post, ele disse que não tem “nenhum receio” em relação a essa possibilidade e criticou a postura de líderes que descartam essa opção de antemão.
Irã ataca vizinhos e recusa diálogo com Washington
O regime iraniano surpreendeu ao lançar ataques com drones contra países árabes da região, incluindo Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. Trump admitiu que a movimentação pegou os americanos de surpresa, já que esperavam menor envolvimento iraniano no conflito.
O chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, foi categórico ao declarar que o país não se sentará à mesa de negociações com Washington. Paralelamente, Israel e o grupo Hezbollah, aliado de Teerã, trocaram ataques, ampliando o raio do conflito para além das fronteiras iranianas.


