Da Redação
Em entrevista à GloboNews, o advogado Marco Aurélio de Carvalho confirmou nesta segunda-feira (16) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, viajou para Portugal em novembro de 2024 acompanhado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS — um dos principais suspeitos do esquema de desvio de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. É a primeira vez que a defesa de Lulinha reconhece publicamente qualquer tipo de relação entre os dois.
Segundo o advogado, a viagem teve como objetivo visitar uma fábrica de produtos de cannabis medicinal, a convite do próprio Careca. O negócio não teria avançado e nenhum contrato foi fechado.
O que Lulinha foi fazer em Portugal?
De acordo com a defesa, Lulinha foi apresentado ao lobista por meio de uma amiga em comum, a empresária Roberta Luchsinger. O convite para ir a Portugal teria surgido do interesse de Lulinha em conhecer o processo de extração de canabidiol — substância derivada da cannabis usada para fins medicinais.
“Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite”, explicou o advogado na entrevista à GloboNews. Carvalho afirmou ainda que Lulinha não pagou pela viagem, mas disse desconhecer se as despesas foram custeadas pelo Careca ou pela empresa portuguesa visitada.
Quem é o Careca do INSS?
Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, está preso desde setembro de 2025, suspeito de liderar um esquema de fraudes que desviou recursos de aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS. O caso é investigado pela Polícia Federal, que deflagrou a Operação Sem Desconto em abril de 2025, e também acompanhado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso Nacional.
A PF identificou cinco pagamentos de R$ 300 mil cada — totalizando R$ 1,5 milhão — feitos por uma empresa do Careca para uma empresa de Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha e de sua esposa.
O que diz a investigação sobre Lulinha?
Em mensagens de WhatsApp obtidas pela PF, o lobista teria dito a um ex-sócio que um dos pagamentos de R$ 300 mil destinados a Roberta era “para o filho do rapaz”. A expressão levantou suspeitas sobre se Lulinha seria o verdadeiro destinatário do dinheiro.
Um ex-funcionário do Careca também afirmou em depoimento à Polícia Federal que o lobista dizia pagar uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha. O suposto objetivo seria que o filho do presidente facilitasse a venda de produtos de canabidiol da empresa World Cannabis ao Ministério da Saúde.
A defesa nega tudo
O advogado de Lulinha rejeita todas as suspeitas. Segundo ele, o filho do presidente não é o “filho do rapaz” mencionado nas mensagens e jamais recebeu qualquer quantia do Careca ou de Roberta Luchsinger. Carvalho também nega que Lulinha tenha feito lobby junto ao Ministério da Saúde ou à Anvisa em favor de qualquer empresa.
A quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, autorizada pela PF em janeiro deste ano, revelou que ele movimentou R$ 19,5 milhões em contas bancárias entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026 — valor que inclui entradas, saídas e transferências entre contas do próprio Fábio. Entre as transações estão três depósitos feitos pelo pai, o presidente Lula, somando R$ 721 mil, e 17 transferências a um ex-sócio, totalizando R$ 704 mil.
Para a defesa, os dados demonstram que não há conexão entre Lulinha e os desvios investigados.
“A quebra de sigilos não trouxe nenhum fato que pudesse comprometer o Fábio em qualquer dos malfeitos que estão sendo investigados pela CPMI do INSS. Fábio não tem relação direta ou indireta com nada que tenha a ver com INSS” afirmou o advogado.
STF suspense quebra de sigilo
A CPMI do INSS também havia aprovado a quebra do sigilo de Lulinha no final de fevereiro, mas a medida foi suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
O plenário da Corte ainda vai analisar o caso.


