Por Carolina Villela
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 60 dias o prazo das investigações que apuram fraude financeira envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O caso é investigado no inquérito (Inq) 5026, que tramita em sigilo.
O pedido foi feito pela Polícia Federal na terça-feira (17), com a justificativa de que diligências imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos ainda precisam ser concluídas.
“Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal, defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais 60 (sessenta) dias”.
Operação Compliance Zero
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. Em janeiro deste ano, a PF realizou mais uma etapa da investigação.
Em 4 de março, os investigadores realizaram a PF a terceira fase da Operação, que também apura esquema de corrupção de servidores do Banco Central e a existência de um grupo armado de intimidação. Na ocasião, o relator, ministro André Mendonça, determinou a prisão de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal pediu mais tempo para analisar documentos, computadores e celulares apreendidos até agora. As mensagens extraídas do primeiro celular apreendido de Vorcaro, em novembro de 2025, só foram periciadas entre fevereiro e março deste ano. 8 telefones ainda aguardam análise.
Prisão preventiva mantida pelo STF
Na última sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF manteve a prisão preventiva de Daniel Vorcaro. O julgamento ocorreu na PET 15556, e a Segunda Turma foi convocada extraordinariamente para referendar a decisão cautelar do relator, ministro André Mendonça, após o ministro Dias Toffoli declarar sua suspeição no caso.
A Polícia Federal descreveu ao STF uma organização criminosa estruturada em quatro frentes: fraudes financeiras, corrupção institucional, ocultação de patrimônio e um núcleo de intimidação e obstrução da Justiça. Esse último era operado por um grupo informal chamado “A Turma”, chefiado operacionalmente por Luiz Phillipi Mourão — apelidado pelo próprio Vorcaro de “Sicário” — e pelo ex-policial federal Marilson Roseno.
Mourão morreu enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. A PF comunicou a abertura de investigação autônoma para apurar eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, sem descartar outras tipificações penais.
Ordens de agressão a jornalistas e intimidação de ex-funcionários
Na PET 15556, que também tramita em segredo de justiça, constam mensagens de WhatsApp nas quais Vorcaro ordenava a Mourão que monitorasse jornalistas e promovesse ameaças físicas. Em uma das trocas reproduzidas na decisão, o investigado manifestou a intenção de simular um assalto para agredir um profissional de imprensa que havia publicado matéria contrária a seus interesses, segundo a representação da Polícia Federal.
Em outras mensagens citadas nos autos, Vorcaro teria determinado ao grupo que levantasse informações sobre um ex-funcionário e ordenado a intimidação de uma empregada doméstica. Com base nesses registros, a PF concluiu que “A Turma” atuava como milícia privada a serviço do investigado.
Rombo de R$ 40 bilhões e bloqueio bilionário de bens
Durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro de 2026, a PF obteve o bloqueio de R$ 2,245 bilhões depositados em conta de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, junto à empresa CBSF DTVM. A defesa contestou a existência dos valores, mas o ministro Mendonça apontou extrato do sistema SISBAJUD como prova do bloqueio.
O relator destacou ainda a tentativa de venda de uma aeronave avaliada em cerca de R$ 538 milhões por valor significativamente inferior como indício de dilapidação patrimonial. No balanço geral do caso, o Fundo Garantidor de Crédito arcou com um rombo de quase R$ 40 bilhões deixado pelo Banco Master, segundo a representação policial.


