Da Redação
O ministro Alexandre de Moraes tornou público nesta sexta-feira (6) o laudo médico da Polícia Federal que avaliou as condições de saúde de Jair Bolsonaro. O documento conclui que o ex-presidente apresenta doenças crônicas controladas, mas necessita de acompanhamento multidisciplinar regular e otimização de tratamentos devido ao risco de complicações cardiovasculares.
A decisão de Moraes atende à determinação feita em 15 de janeiro, quando ordenou a transferência de Bolsonaro para o Complexo da Papuda. Na ocasião, o ministro determinou que o custodiado fosse submetido a junta médica oficial da Polícia Federal.
O laudo, assinado pelos peritos Cristian Kotinda Junior, Marcelo Souza Custódio e Hugo Oliveira de Figueiredo Cavalcanti, foi elaborado após exame realizado em 20 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele servirá de suporte para que o Ministro decida sobre o pedido de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
Diagnósticos confirmados pela perícia
Os peritos confirmaram que Bolsonaro é portador de sete doenças crônicas que estão sob controle clínico: hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.
O documento afirma que tais comorbidades não exigem transferência para cuidados hospitalares no momento. Contudo, ressalta a necessidade de otimização dos tratamentos e medidas preventivas por profissionais especializados.
Segundo o laudo, Bolsonaro possui as seguintes doenças crônicas: aderências (bridas) intra-abdominais; hipertensão arterial sistêmica; Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave; obesidade clínica; aterosclerose sistêmica; doença do refluxo gastroesofágico; queratose actínica.
A perícia também identificou sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda. O laudo recomenda investigação diagnóstica complementar para esse quadro.
Recomendações da junta médica
Entre as medidas sugeridas pelos peritos estão a instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento. Também foi recomendada a instalação de campainhas de pânico adicionais ou dispositivos de monitoramento em tempo real.
O documento prevê ainda avaliação nutricional e prescrição dietética por profissionais especializados, prática regular de atividade física aeróbica e resistida conforme tolerância clínica. O tratamento fisioterápico contínuo, com ênfase em força muscular e equilíbrio postural, também consta das recomendações.
Interação medicamentosa e risco de quedas
Os peritos destacaram que a associação entre gabapentina, clorpromazina e escitalopram pode resultar em efeito sinérgico sobre sedação e redução do nível de vigilância. Isso contribui para a sensação de fadiga relatada por Bolsonaro, além de comprometer equilíbrio, coordenação motora e capacidade de resposta a estímulos ambientais.
O uso concomitante de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria um cenário farmacológico de risco, segundo o laudo. Os possíveis efeitos adversos incluem sedação, letargia, tontura, lentificação psicomotora e hipotensão postural, todos relacionados ao risco de queda.
Próximos passos no processo
Moraes determinou que os advogados de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o laudo no prazo sucessivo de cinco dias. As partes também podem requerer eventuais complementações, se assim entenderem.
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses em regime inicial fechado desde 25 de novembro de 2025. A condenação foi resultado de ação penal julgada procedente pelo Supremo Tribunal Federal.


