Perfil hackeado no Instagram: Justiça impõe multa e condena Facebook a indenizar vítima

Há 6 meses
Atualizado quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Da Redação

A 6ª Vara Cível de Brasília condenou a Facebook Serviços On-line do Brasil Ltda. ao pagamento de R$ 14 mil em indenizações a uma usuária que teve sua conta no Instagram invadida por criminosos. A decisão reconheceu falhas tanto na segurança da plataforma quanto na ineficácia dos mecanismos de recuperação de acesso, mesmo após ordem judicial.

A ação foi movida por uma usuária que, em janeiro deste ano, teve seu perfil hackeado e passou a ver sua imagem vinculada a anúncios fraudulentos de investimentos em criptomoedas. Apesar de registrar boletim de ocorrência e seguir os protocolos oficiais da rede, ela não conseguiu reaver o controle da conta, que permaneceu sob domínio dos criminosos por meses.

O caso expôs a dificuldade enfrentada por usuários vítimas de ataques cibernéticos em recuperar o acesso a perfis, mesmo quando estes são usados para enganar terceiros. Para a vítima, o episódio trouxe não apenas prejuízo à sua imagem, mas também forte desgaste emocional.

Argumentos rejeitados pela Justiça

Na defesa, a empresa alegou não ser responsável direta pelo gerenciamento do Instagram, atribuindo a invasão a eventual falha da própria usuária. Sustentou ainda que disponibiliza mecanismos de proteção adequados e que não haveria prova suficiente de dano moral.

Os magistrados, no entanto, não acolheram os argumentos. Ressaltaram que a vulnerabilidade da conta e a ausência de uma solução eficaz configuraram falha grave na prestação do serviço. Concluíram que a requerida não apenas falhou em garantir a segurança do perfil, como também em oferecer resposta rápida e efetiva para cessar os prejuízos decorrentes do ataque.

Indenização e multa por descumprimento

Além de determinar a recuperação imediata da conta, os juízes aplicaram multa de R$ 10 mil pelo descumprimento da ordem judicial, já que a empresa não conseguiu restabelecer o perfil da usuária. A indenização por danos morais foi fixada em R$ 4 mil, considerando a gravidade da exposição, os golpes praticados em nome da vítima e o abalo emocional sofrido.

Somados, os valores chegam a R$ 14 mil. O tribunal também estabeleceu nova tentativa de devolução da conta, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 20 mil.

Segurança como dever da plataforma

A sentença enfatizou que a relação entre usuária e empresa é de consumo, e que a segurança digital integra o dever das plataformas. Para os juízes, falhas cibernéticas fazem parte do risco da atividade empresarial, cabendo às companhias oferecer mecanismos eficientes para prevenir e resolver casos de invasão.

A decisão reforça o entendimento de que empresas que administram redes sociais não podem se eximir de responsabilidade quando a vulnerabilidade de seus sistemas afeta diretamente os consumidores. Cabe recurso.

Autor

Leia mais

Vazamento de reunião sobre caso Master gera crise de confiança no STF

Há 8 horas

Dino dá prazo final de 30 dias para conclusão de relatório sobre terra indígena em Roraima

Há 9 horas
Edifício-sede do STF com estátua da Justiça na frente

STF não terá expediente em segunda e terça de Carnaval; prazos são prorrogados

Há 9 horas

PF se reúne com Mendonça e apresenta informações sobre inquérito do Banco Master

Há 9 horas
Ministro Villa Boas Cuêva durante a sessão

Infojud pode ser utilizado por juízes para checar renda de jurisdicionado e quem tem direito à Justiça gratuita, diz STJ

Há 9 horas
Sede do TRF 3, onde o colegiado escolheu novo desembargador por antiguidade

Colegiado do TRF 3 escolhe novo desembargador, por critério de antiguidade, e define lista tríplice para outra vaga existente na Corte

Há 12 horas
Maximum file size: 500 MB