STJ determina cancelamento de registro de indiciamento quando provas são anuladas

Há 2 meses
Atualizado segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Da Redação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, quando a Justiça anula as provas que fundamentaram um indiciamento, o registro dessa informação nos bancos de dados oficiais deve ser cancelado. A decisão diferencia essa situação dos casos em que há arquivamento por prescrição ou absolvição, quando o registro permanece válido.

Entenda o que é indiciamento e seus efeitos

Quando alguém é indiciado durante uma investigação policial, essa informação fica registrada em bancos de dados oficiais. Normalmente, mesmo que o inquérito seja arquivado ou a pessoa seja absolvida depois, o registro do indiciamento continua lá, aparecendo na folha de antecedentes.

Agira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que existe uma situação diferente: se a Justiça declarar que as provas usadas para indiciar a pessoa eram inválidas, o indiciamento se torna ilegal e o registro precisa ser cancelado.

Como funciona o indiciamento

Ser indiciado significa que, durante uma investigação policial, você foi apontado como possível autor de um crime. Isso acontece quando há indícios suficientes reunidos no inquérito. Essa informação vai para um sistema oficial e fica registrada permanentemente.

O ministro Antônio Carlos Ferreira, que conduziu o julgamento, explicou que o indiciamento não é uma decisão aleatória do delegado. A lei exige que devem existir  provas mínimas mostrando que houve um crime e que aquela pessoa pode ter sido a autora.

O que muda com a decisão do STJ

A Corte Especial do STJ decidiu que, quando a Justiça anula as provas que justificaram o indiciamento, não faz sentido manter o registro. Afinal, sem provas válidas, o indiciamento perde sua base legal.

“O indiciamento não pode subsistir sem suporte probatório válido, mesmo em inquérito arquivado, considerando as implicações morais e jurídicas”, afirmou o ministro Antônio Carlos Ferreira.

Para o tribunal, manter o registro nessa situação cria uma contradição: os documentos oficiais mostram uma realidade diferente do que a Justiça reconheceu como verdadeiro.

Quando o registro permanece

É importante entender que essa decisão não vale para todos os casos. O STJ deixou claro que existem situações em que o registro do indiciamento continua valendo:

  • Quando o inquérito é arquivado por extinção da punibilidade (por exemplo, se o crime prescreveu)
  • Quando a pessoa é absolvida em um julgamento

Nesses casos, o indiciamento foi feito com base em provas válidas na época, e o registro pode permanecer. A diferença está justamente na validade das provas: se elas existiam e eram legais, o indiciamento foi legítimo, mesmo que depois não tenha resultado em condenação.

O caso concreto analisado

A decisão foi tomada ao analisar o pedido de uma pessoa que teve as provas do seu inquérito anuladas pela Justiça. Os inquéritos policiais foram trancados, mas o registro do indiciamento continuava ativo. A defesa argumentou que, se as provas eram nulas, o indiciamento baseado nelas também deveria ser considerado ilegal.

O STJ concordou com esse raciocínio e determinou que os órgãos policiais e de controle fossem comunicados para cancelar o registro.

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