Claudio Castro, governador do Rio de Janeiro

Cláudio Castro tenta adiar julgamento no TSE para evitar cassação

Há 6 minutos
Atualizado segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A defesa do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), aposta no fator tempo para evitar uma eventual cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico. A estratégia busca empurrar o julgamento para depois das eleições de 2026, o que poderia permitir que ele dispute e até exerça mandato no Senado mesmo diante de condenação posterior.

O caso é considerado delicado por integrantes da Corte, diante da gravidade das acusações.

Castro também pode ser declarado inelegível por oito anos, caso haja condenação.

Visitas e expectativa de pedidos de vista

Nas últimas semanas, o governador esteve ao menos duas vezes em Brasília para visitar ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo relatos de bastidores, a movimentação faz parte de uma articulação para que ministros do TSE peçam vista do processo, o que suspenderia o julgamento por mais tempo.

A presidente do TSE, Cármen Lúcia, marcou a retomada do julgamento para o dia 10 de março.

Após as visitas, aliados de Castro demonstraram confiança na possibilidade de novos pedidos de vista, o que poderia adiar a decisão para além do calendário eleitoral.

Escândalo do Ceperj no centro do processo

Castro, o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o ex-vice-governador Thiago Pampolha são acusados no chamado “escândalo do Ceperj”.

Revelado em 2022, o caso envolve a existência de uma “folha de pagamento secreta” com cerca de 20 mil nomeações temporárias no Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Segundo as acusações, aliados e cabos eleitorais teriam sido beneficiados, configurando abuso de poder político e econômico nas eleições daquele ano.

Em maio de 2024, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) absolveu os investigados por 4 votos a 3.

O Ministério Público Eleitoral e o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, recorreram ao TSE para tentar reverter a decisão.

O advogado Fernando Neves, que representa Castro, afirmou que continua confiante na manutenção do acórdão do TRE-RJ, sustentando que “nenhum ato irregular é imputado especificamente ao governador”.

O peso do calendário eleitoral

Pelo calendário eleitoral, Castro precisará se desincompatibilizar do cargo até o início de abril para disputar o Senado.

Em agosto, ocorre o registro das candidaturas, momento em que a Justiça Eleitoral verifica eventual inelegibilidade.

De acordo com fonte que acompanha o caso, a jurisprudência do TSE estabelece que as causas de inelegibilidade precisam ocorrer até a data da eleição.

Assim, se o julgamento definitivo ocorrer após o pleito de 2026, Castro poderia registrar candidatura enquanto ainda estiver elegível, ser diplomado e exercer o mandato.

Na prática, mesmo que condenado depois, já teria assumido o cargo de senador.

Mudança no comando do TSE

Outro elemento considerado no cálculo político é a troca na presidência do TSE.

A partir de junho, a Corte será comandada por Kassio Nunes Marques, visto como mais próximo de lideranças do Centrão.

O perfil é apontado como diferente do de Cármen Lúcia, que pautou o julgamento em novembro passado.

Na ocasião, a relatora Isabel Gallotti votou pela cassação de Castro e pela convocação de novas eleições, afirmando que as condutas revelariam “elaborado esquema de uso da estrutura administrativa estadual”.

O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Antonio Carlos, que devolveu o processo na última semana.

Ainda faltam os votos de Antonio Carlos, Cármen Lúcia e de outros quatro ministros.

Carta na manga e força-tarefa jurídica

As defesas de Castro e Bacellar também apresentaram uma “questão de ordem” para tentar arquivar as ações.

Os advogados alegam que o reitor da Uerj à época, Ricardo Lodi, que também disputou as eleições de 2022, não foi incluído no polo passivo das ações.

Para a defesa, essa omissão comprometeria o processo desde o início.

O julgamento mobilizou seis ex-ministros do TSE na defesa dos acusados.

Castro é representado por Fernando Neves e Henrique Neves. Bacellar é defendido por Maria Claudia Bucchianeri e José Eduardo Alckmin. Pampolha contratou Sérgio Banhos e Carlos Horbach.

Autor

Leia mais

Lula é recebido em cerimônia na Coreia do Sul após visita à Índia

Há 10 minutos

Financial Times diz que nova tarifa de Trump beneficiará China e Brasil

Há 15 minutos

STF analisa obrigatoriedade de escritura pública em contratos de alienação fiduciária imobiliária

Há 3 dias
Tenente-coronel Mauro Cid durante audiência no Senado

Exército oficializa aposentadoria de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, a partir de 2 de março

Há 3 dias
General Mário Fernandes, um dos condlenados pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

Para PGR, se Mario Fernandes receber visita íntima em instalação das Forças Armadas violará legislação militar

Há 3 dias

Guilherme Arantes: um artista que se move entre diferentes dimensões

Há 3 dias
Maximum file size: 500 MB