Ministro Edson Fachin, presidente do STF

Fachin antecipa retorno a Brasília para conter crise no STF provocada por decisões de Toffoli

Há 2 meses
Atualizado quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Presidente do Supremo, ainda formalmente de férias, tenta reduzir danos à imagem da Corte em meio ao avanço das investigações do caso Banco Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu antecipar seu retorno a Brasília diante da crise provocada por recentes decisões do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master. Embora ainda esteja oficialmente de férias, Fachin já vem mantendo conversas com colegas da Corte sobre o assunto.

Desde o fim de 2025, ele dialogou, presencialmente ou por videoconferência, com os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e com o próprio Toffoli. Nesta terça-feira (20), também se encontrou no Maranhão com o ministro Flávio Dino.

Tensão nos bastidores do Supremo em plena crise institucional

Fachin teria mencionado diretamente o caso Master em algumas das conversas, afirmando que acompanha com atenção os desdobramentos da investigação, sob relatoria de Toffoli. Apesar disso, o foco de parte dos diálogos foi a proposta de criação de um código de conduta com diretrizes éticas para a atuação dos ministros do STF.

Segundo interlocutores, Fachin avaliou que o momento atual exige sua presença em Brasília. A antecipação do retorno tem como objetivo conter o desgaste institucional e preservar a imagem da Corte, abalada por decisões recentes no âmbito do processo.

O STF está oficialmente em recesso desde 20 de dezembro. Durante esse período, Fachin e o vice-presidente, Alexandre de Moraes, se revezam na condução dos trabalhos do tribunal. Fachin ficou à frente da Corte até o dia 11 de janeiro; desde então, a responsabilidade é de Moraes.

Decisões de Toffoli geram desconforto e críticas

A atuação de Dias Toffoli no caso Master gerou forte repercussão negativa entre instituições como o Banco Central, a Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e até entre integrantes do próprio Supremo. O episódio mais sensível foi sua decisão de impedir inicialmente o acesso da PF às provas obtidas durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no último dia 14.

Na ocasião, Toffoli determinou que os dispositivos apreendidos deveriam permanecer lacrados e sob guarda do STF. Posteriormente, voltou atrás parcialmente e enviou o material à PGR. Em seguida, permitiu que quatro peritos da PF, escolhidos por ele, tivessem acesso ao conteúdo.

Escolha de peritos sem consulta à PF aumenta crise

A decisão não foi suficiente para conter a insatisfação nos bastidores. A escolha dos peritos pela equipe de Toffoli, sem participação da cúpula da Polícia Federal, causou novo desconforto entre os investigadores. A ausência de diálogo com os órgãos responsáveis pela apuração do caso foi interpretada como interferência indevida, intensificando a tensão entre instituições.

Além da repercussão negativa, o episódio reacendeu debates sobre a necessidade de maior transparência e limites nas decisões monocráticas dentro do STF. A atuação de Toffoli também gerou reação política: um senador já formalizou pedido à PGR para investigar possível conflito de interesses do ministro no caso Master.

O retorno antecipado de Fachin a Brasília ocorre em meio a esse cenário conturbado e indica a intenção de retomar o controle do ambiente interno da Corte, buscando preservar sua estabilidade institucional.

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