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STF desmente ligação entre Vorcaro e Moraes e PF nega manipulação de dados da Compliance Zero

Há 8 meses
Atualizado sexta-feira, 6 de março de 2026

Da redação

A Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal (STF), por solicitação do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, divulgou nota oficial afirmando que análise técnica dos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS), demonstrou que as mensagens de visualização única enviadas pelo banqueiro em 17 de novembro de 2025 não estão vinculadas ao ministro Alexandre de Moraes. Em paralelo, a Polícia Federal também divulgou nota reafirmando que atua com rigorosos padrões de segurança no tratamento das informações da Operação Compliance Zero e negando qualquer manipulação dos dados apreendidos.

As duas notas surgem em resposta à repercussão gerada pela divulgação de conteúdo extraído do celular de Vorcaro, dono do Banco Master e preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. O material foi disponibilizado pela CPMI do INSS à imprensa e gerou questionamentos sobre uma suposta comunicação entre o banqueiro e o ministro Moraes. As notas do STF e da PF buscam desfazer essa interpretação e esclarecer a origem e o tratamento das informações apreendidas.

STF: prints estão vinculados a outros contatos, não a Moraes

Segundo a nota do gabinete de Moraes, a análise técnica dos arquivos revelou que os prints das mensagens de visualização única enviadas por Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025 estão organizados em pastas do computador do próprio banqueiro e vinculados a outros contatos de sua lista — e não ao ministro Alexandre de Moraes. A conclusão é que a mensagem e o respectivo contato pertencem à mesma pasta de quem realizou os prints, ou seja, do próprio Vorcaro, e que os arquivos apontam para terceiros que não o ministro.

A nota ressaltou que os nomes e contatos das pessoas efetivamente vinculadas aos arquivos não serão divulgados em virtude do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, atual relator do processo. No entanto, o STF destacou que essas informações constam no arquivo que a própria CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa, o que significa que os veículos de comunicação que tiveram acesso ao material podem verificar a vinculação correta dos arquivos.

PF nega manipulação e reafirma integridade das investigações

A Polícia Federal, por sua vez, foi categórica ao afirmar que nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada no âmbito da Operação Compliance Zero conteve dados irrelevantes para a instrução das investigações. Segundo a corporação, não foram incluídas informações relacionadas à intimidade ou à vida privada dos investigados nos documentos produzidos pela instituição no curso das apurações.

A PF também rejeitou qualquer sugestão de edição ou seleção tendenciosa dos dados extraídos dos equipamentos apreendidos. A corporação destacou que editar conversas, selecionar ou manipular dados apreendidos configuraria violação ao direito ao contraditório e à ampla defesa, garantias constitucionalmente asseguradas a todos os investigados. A nota reforçou que a atuação da instituição segue padrões rigorosos de segurança no tratamento de informações e na preservação dos direitos fundamentais, incluindo o respeito à privacidade e à intimidade.

A corporação esclareceu ainda a cadeia de custódia do material apreendido: os equipamentos estão em poder da Polícia Federal desde novembro de 2025 e em poder da Procuradoria-Geral da República desde janeiro de 2026. Posteriormente, por decisão do então ministro relator do processo, a defesa dos investigados passou a ter acesso à integralidade das informações. A CPMI do INSS, por sua vez, recebeu os dados referentes ao objeto da comissão por determinação do atual relator, ministro André Mendonça.

Em uma sinalização relevante sobre os desdobramentos do caso, a Polícia Federal informou que, por orientação do diretor-geral da instituição, a equipe responsável pelas investigações encaminhou ao ministro relator André Mendonça uma representação para a abertura de apuração sobre a divulgação indevida de informações sigilosas. A medida vai ao encontro da decisão já tomada pelo próprio Mendonça, que nesta sexta-feira (6) determinou a instauração de inquérito policial para investigar o suposto vazamento de dados de Vorcaro para a imprensa.

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