Financial Times diz que nova tarifa de Trump beneficiará China e Brasil

Há 14 minutos
Atualizado segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A imposição de uma tarifa global de 15% pelos Estados Unidos deve favorecer China e Brasil e atingir aliados históricos de Washington, segundo análise publicada pelo Financial Times, considerado o maior jornal de economia da Europa, com base em dados da Global Trade Alert. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump após decisão da Suprema Corte que derrubou parte de sua política comercial anterior e deve vigorar por 150 dias, a partir desta terça-feira (24).

O levantamento da organização independente de monitoramento do comércio aponta que o Brasil terá a maior redução nas taxas tarifárias médias, com queda de 13,6 pontos percentuais.

A China aparece na sequência, com diminuição de 7,1 pontos percentuais nas tarifas médias aplicadas.

Decisão judicial altera estratégia

A mudança ocorre após a Suprema Corte considerar ilegal grande parte das tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

Trump utilizava o instrumento para aplicar sobretaxas a parceiros comerciais, mas a decisão majoritária do tribunal invalidou essas medidas na sexta-feira (20).

Diante da derrota judicial, o presidente anunciou a substituição das tarifas da IEEPA por uma taxa geral de 10%, elevada no sábado (21) para 15%.

O novo regime terá validade temporária de 150 dias e dependerá de autorização do Congresso para continuar em vigor.

Aliados são mais afetados

Embora países frequentemente criticados pela Casa Branca sejam beneficiados, aliados tradicionais dos Estados Unidos tendem a enfrentar aumento nas tarifas médias.

Reino Unido, União Europeia e Japão estão entre os mais impactados pela nova taxa fixa global.

O Reino Unido, que havia assegurado tarifa de 10% para muitos produtos, verá alta de 2,1 pontos percentuais na média tarifária.

A União Europeia, mesmo após negociar taxa de 15%, terá elevação geral de 0,8 ponto percentual, com Itália e França mais afetadas quando consideradas cerca de 1.100 categorias isentas.

A Câmara de Comércio Britânica afirmou que 40 mil empresas exportadoras devem ficar “desapontadas” e pediu diálogo com Washington.

Governo promete novas investigações

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou à CBS que o governo dará continuidade ao programa tarifário, apesar das limitações impostas pela decisão judicial.

“Não temos a mesma flexibilidade que a IEEPA nos dava”, declarou, acrescentando que investigações poderão embasar novas tarifas.

Greer disse ainda que o aumento de 10% para 15% ocorreu porque “a urgência da situação exige que ele use toda a sua autoridade”.

Segundo ele, parceiros comerciais foram avisados previamente de que tarifas seriam mantidas, independentemente do resultado no tribunal.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou à CNN que os acordos firmados continuam válidos e que os parceiros desejam mantê-los.

Ele afirmou também que a receita projetada do Tesouro para 2026 permanece inalterada.

Benefícios e incertezas

Johannes Fritz, economista e diretor executivo da Global Trade Alert, responsável pela análise, destacou que países mais visados anteriormente — como China, Brasil, México e Canadá — foram os que registraram maior redução tarifária média.

Fabricantes asiáticos de Vietnã, Tailândia e Malásia também devem ser beneficiados, especialmente nos setores de vestuário, móveis, brinquedos e plásticos.

Ao mesmo tempo, Greer indicou que novas investigações poderão atingir países com excesso de capacidade industrial ou práticas consideradas desleais.

Ele mencionou, por exemplo, subsídios agrícolas no exterior que prejudicariam produtores americanos de arroz.

Fritz alertou que o cenário permanece incerto. Segundo ele, o governo sinaliza que pode recorrer à Seção 301 da Lei de 1974 para impor medidas específicas por país.

“Este regime tem uma duração potencial de apenas 150 dias. (…) Na prática, o jogo recomeça do zero”, afirmou.

Os Estados Unidos já iniciaram investigações com base na Seção 301 contra Brasil e China, reforçando a possibilidade de novas disputas comerciais.

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