Sistema de reconhecimento facial levou à prisão de Janaína Reis Miron, que tinha dois mandados abertos por agressão e embriaguez ao volante
A Polícia Militar de São Paulo deteve nesta quinta-feira (15) Janaína Reis Miron, 49 anos, meia-irmã do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). A prisão aconteceu após ela ser identificada por uma câmera do sistema Smart Sampa, no bairro de Veleiros, zona sul da cidade. Janaína estava em uma unidade básica de saúde quando foi abordada.
Contra ela, havia dois mandados de prisão em aberto. As ordens judiciais se referem a condenações por desacato, lesão corporal e embriaguez ao volante, com penas a serem cumpridas em regime aberto. A detida foi levada ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.
Reconhecimento facial e alertas para a polícia
O Smart Sampa é um programa de videomonitoramento por reconhecimento facial, implantado pela prefeitura de São Paulo. O sistema cruza imagens em tempo real com bancos de dados de procurados pela Justiça. Quando há uma correspondência facial, um alerta é emitido para que a polícia realize a abordagem e, se for o caso, a prisão.
Segundo dados divulgados pela administração municipal, até as 17h do mesmo dia, o sistema já havia colaborado para a prisão de 2.630 foragidos. Além disso, outras 3.650 pessoas foram detidas em flagrante por diversos tipos de crime.
A gestão de Ricardo Nunes afirmou, por meio de nota, que a prisão da irmã “está amparada em mandados judiciais, obedeceu ao rigor da lei e foi executada seguindo os critérios de identificação do Smart Sampa”. A prefeitura não comentou sobre o grau de proximidade entre o prefeito e a detida.
Relação familiar e histórico de condenações
A reportagem da Folhapress apurou que Ricardo Nunes e Janaína não têm contato há cerca de dez anos. Mesmo assim, o fato de a prisão ter ocorrido na mesma região onde o prefeito reside adicionou visibilidade ao caso.
Os processos que motivaram os mandados envolvem episódios de violência doméstica e direção sob efeito de álcool. Em 2014, Janaína foi denunciada por agredir um dos filhos, então com 11 anos. O boletim de ocorrência descreve mordidas, puxões de cabelo e arremessos de objetos. Na ocasião, o Ministério Público destacou que ela fazia uso abusivo de bebidas alcoólicas. A pena de oito meses de detenção foi convertida em prestação de serviços à comunidade.
Segundo caso envolveu embriaguez e desacato
Em 2022, ela foi flagrada dirigindo de forma irregular na rodovia João Hipólito Martins, em Botucatu, interior paulista. Segundo os policiais, apresentava sinais evidentes de embriaguez e os teria insultado, chamando-os de “bando de vagabundos” e dizendo que eram “inferiores ao meu marido, que é capitão da PM”. Janaína negou a embriaguez e alegou que fazia uso de medicação.
Por este episódio, foi condenada ao pagamento de um salário mínimo e à prestação de serviços comunitários por um ano e três meses. O juiz Orlando Haddad Neto considerou as penas suficientes para reprovação e reeducação da conduta.
Mandados por descumprimento de penas
Os dois mandados de prisão em vigor contra Janaína decorrem do não cumprimento das penas alternativas anteriormente impostas. O primeiro, expedido em novembro de 2025, aponta que ela descumpriu restrições e teve a pena convertida em privação de liberdade, com regras como recolhimento domiciliar e comparecimento em juízo.
O segundo, emitido no final de novembro do mesmo ano, registra que ela não compareceu à audiência admonitória, etapa em que o réu é formalmente informado sobre as condições da sentença. A ordem previa prisão domiciliar e uma série de restrições, como não frequentar bares ou portar armas.


