Ministros do Supremo Tribunal Federal criticaram a atuação da Polícia Federal por investigar o ministro Dias Toffoli sem autorização da Corte, segundo informação publicada pela jornalista Mônica Bergamo. O relatório da corporação foi entregue ao presidente do tribunal, Edson Fachin, e acabou desencadeando a saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master.
A apuração foi apresentada no início da semana e gerou forte reação interna entre os magistrados.
Na quinta-feira (12), após reunião entre os ministros, Toffoli deixou a condução do processo que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Críticas à atuação da PF
Segundo a coluna, o ministro André Mendonça foi quem fez a manifestação mais contundente durante o encontro.
“Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”, teria afirmado, de acordo com relatos da reunião.
A maioria dos magistrados concordou com a avaliação de que a investigação não poderia ter avançado sem autorização prévia do Supremo.
Para apurar a conduta de um integrante da Corte, a Polícia Federal precisa de autorização formal do próprio STF.
Questionamento sobre origem dos indícios
Ministros ouvidos pela coluna sustentam que o relatório entregue a Fachin indica que os indícios contra Toffoli não teriam surgido de forma fortuita.
Segundo essa interpretação, houve cruzamento de dados e pesquisas, inclusive em juntas comerciais.
“Não foi acidental, um encontro fortuito com indícios. Fizeram uma investigação à revelia do STF, e não poderiam fazer isso”, afirmou um integrante do tribunal à coluna.
O mesmo ministro acrescentou que não se tratava de simples envio de material bruto, mas de investigação efetiva envolvendo o nome do magistrado.
Divergência sobre procedimentos
Defensores da atuação da PF apresentam versão diferente.
De acordo com essa corrente, os policiais teriam seguido o procedimento adequado e encaminhado a Fachin apenas mensagens extraídas do celular de Vorcaro que mencionavam Toffoli.
Nessa leitura, não teria havido aprofundamento investigativo específico em relação ao ministro.
Ainda assim, prevaleceu entre os magistrados a avaliação de que a permanência de Toffoli na relatoria agravaria o desgaste institucional do Supremo.
Relatório e repercussão interna
A situação se intensificou após a entrega de relatório com troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.
Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, e chegou a ser detido pela PF.
Nas mensagens, segundo a coluna, Vorcaro e Zettel discutem pagamentos à empresa Maridt, que tem Toffoli entre os sócios.
As conversas mencionariam transferências realizadas em 2025, ano em que teria sido concluído negócio envolvendo a compra de um resort.
Pressão e saída da relatoria
Durante a reunião, Toffoli declarou aos colegas que não era suspeito e manifestou desejo de permanecer na condução do caso.
Apesar disso, foi pressionado por ministros a deixar a relatoria, como forma de reduzir o impacto negativo sobre a imagem da Corte.
Ao final, concordou em se afastar da investigação, abrindo caminho para redistribuição do processo.
O episódio evidencia a tensão entre o Supremo e a Polícia Federal e expõe o delicado equilíbrio entre autonomia investigativa e prerrogativas institucionais da Corte.


