Por Carolina Villela
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (23) que o Comando do 19º Batalhão de Polícia Militar — conhecido como Papudinha — preste esclarecimentos, em até 48 horas, sobre uma visita recebida pelo ex-ministro da Justiça Anderson Torres fora do horário autorizado. Torres cumpre pena de 24 anos de prisão por envolvimento na trama golpista que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
A irregularidade foi identificada no relatório de visitas referente ao período de 7 a 11 de fevereiro de 2026, apresentado pelo próprio Comando do 19º BPM aos autos do processo no dia 12 de fevereiro. Consta no documento que, no dia 11 de fevereiro, Torres recebeu a visita de João Torres Filho e Patrícia Gisele Torres entre as 17h e às 19h — horário não previsto nas regras vigentes para custodiados classificados como sensíveis.
Visita ocorreu fora dos horários autorizados pelo STF
Em decisão proferida no dia 29 de janeiro, o próprio ministro Moraes havia atendido a requerimento do 19º BPM e autorizado a alteração nos dias de visita para custodiados classificados como sensíveis, categoria na qual Anderson Torres se enquadra. Pelo novo regime, as visitas passaram a ser permitidas apenas às quartas-feiras e aos sábados, nos horários das 8h às 10h, das 11h às 13h ou das 14h às 16h.
A visita registrada no dia 11 de fevereiro — uma terça-feira — ocorreu tanto em dia quanto em horário incompatíveis com as regras estabelecidas. O descumprimento das condições fixadas pelo STF motivou a determinação de Moraes para que o Comando do batalhão explique, no prazo de 48 horas, como a visita foi autorizada e realizada.
Anderson Torres cumpre pena em uma sala de Estado-Maior no complexo da Papuda, em Brasília. O ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal foi identificado pelo STF como integrante do núcleo principal da articulação golpista que tentou impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


