Político e gestor público dedicou mais de 50 anos à vida institucional brasileira; cerimônia será reservada a familiares e amigos
O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), em Brasília, aos 73 anos, em decorrência de um câncer. Natural do Recife, Jungmann teve longa trajetória na política e na administração pública, sendo reconhecido por sua atuação ética e por seu compromisso com a democracia. O velório será restrito à família e amigos próximos.
Trajetória marcada por cargos de destaque
Com cinco décadas de vida pública, Raul Jungmann ocupou alguns dos cargos mais relevantes do país. Foi ministro da Reforma Agrária no governo Fernando Henrique Cardoso, da Defesa e da Segurança Pública no governo Michel Temer. Também atuou como deputado federal por Pernambuco e foi filiado ao MDB e ao Cidadania (antigo PPS).
Além da política, Jungmann teve papel relevante no setor da mineração. Era diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), onde ajudou a fortalecer o protagonismo institucional da entidade. Em nota, o Ibram afirmou que ele será lembrado pela “competência, visão estratégica e capacidade de articulação”.
Primeiro ministro da Segurança Pública
Em 2018, Jungmann foi nomeado o primeiro ministro da recém-criada pasta da Segurança Pública, passando a coordenar órgãos como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Penitenciário Nacional. Durante sua gestão, foi aprovado o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e modernizada a legislação do Fundo Nacional de Segurança Pública.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacou que Jungmann teve papel fundamental para avanços que ainda sustentam as políticas públicas do setor. Em nota, a entidade ressaltou seu esforço em fortalecer as instituições e enfrentar os desafios da área.
Defesa da democracia e de políticas estruturais
Conhecido por sua postura técnica e sua capacidade de diálogo, Jungmann não poupava críticas à falta de coordenação no setor de segurança. Em entrevista ao UOL, em 2020, afirmou que a área era “o reino da obscuridade” pela ausência de estatísticas confiáveis que permitissem avaliar políticas públicas.
Em abril de 2025, voltou ao debate público ao defender a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso, reforçando que a responsabilidade pela segurança deve ser compartilhada entre União e estados. “A PEC é apenas o começo de um longo e complexo trabalho”, afirmou na ocasião.
Repercussão e homenagens
O falecimento de Jungmann gerou grande comoção entre autoridades e colegas. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou seu papel na construção de pontes e no respeito institucional. Ele lembrou que, em dezembro, o ex-ministro recebeu uma Moção de Louvor da Casa.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prestou homenagem nas redes sociais. “Raul foi um dos homens mais decentes e corretos que conheci na vida pública. Contribuiu decisivamente para o desenvolvimento do setor mineral brasileiro”, declarou.
O general Fernando Azevedo e Silva, também ex-ministro da Defesa, lamentou profundamente a perda. “Perdemos um brasileiro que se dedicou ao país até seu último dia”, afirmou ao UOL.
O Grupo de Líderes Empresariais (Lide), do qual Jungmann fazia parte na área mineral, também expressou pesar. Para a entidade, sua trajetória deixa um “legado inestimável para a política, a economia e a sociedade brasileira”.


