STJ permite impenhorabilidade de imóvel hipotecado antes de união estável

Há 2 meses
Atualizado quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Da Redação

A formação de união estável e o nascimento de filho ocorridos após a constituição de hipoteca podem garantir a proteção do imóvel como bem de família, desde que comprovado seu uso como residência familiar. A decisão, por unanimidade,  é da  Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça reforça o direito fundamental à moradia previsto na Constituição.

A controvérsia teve origem em embargos de terceiros apresentados pela companheira e pelo filho de um empresário de São Paulo. O homem havia dado um imóvel como garantia de operações de crédito bancário contraídas por uma empresa da qual era sócio e avalista, quando ainda era solteiro e não tinha filhos. Depois, o bem foi penhorado em execução movida pela instituição financeira. Os familiares do empresário alegaram que o imóvel era bem de família e, portanto, protegido pela Lei 8.009/1990.

O juízo da primeira instância rejeitou os embargos, entendendo que a proteção do bem de família não se aplicaria porque a hipoteca havia sido constituída antes da formação da união estável e do nascimento do filho. Na época da garantia, o empresário ainda se declarava solteiro. Em segunda instância, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a sentença. Para a corte estadual, o credor não poderia ser prejudicado por uma situação familiar que surgiu depois e que era desconhecida no momento da constituição da garantia.

Direito à moradia prevalece sobre garantia hipotecária

Ao analisar o recurso no STJ, o relator ministro Ricardo Villas Bôas Cueva destacou que a Lei 8.009/1990 confere proteção ao bem de família com base em um direito fundamental da pessoa humana: o direito à moradia. Segundo o magistrado, a impenhorabilidade não existe para proteger o devedor contra suas dívidas. O objetivo é assegurar a preservação da residência da entidade familiar, em sentido amplo, independentemente da forma como ela se constitua.

O relator lembrou que a jurisprudência do STJ admite que a proteção do bem de família alcance situações que surgem depois, inclusive aquelas formadas após a constituição da garantia hipotecária ou mesmo depois da penhora. Para a turma julgadora, tendo sido provado que o imóvel penhorado serve de moradia para a família, não se pode impor que a companheira e o filho suportem os efeitos patrimoniais de um negócio firmado antes da formação da entidade familiar.

No caso analisado, o próprio TJSP reconheceu que o imóvel penhorado era utilizado como residência pelo executado, sua companheira e seu filho. Esse reconhecimento foi fundamental para a decisão do STJ, que priorizou a proteção da família em detrimento da garantia bancária estabelecida anteriormente.

Caso retorna ao tribunal para análise de possível benefício à família

Apesar de reconhecer a condição do imóvel como bem de família, o relator observou que subsiste uma questão não analisada de forma completa pelas instâncias ordinárias. Trata-se da eventual utilização do empréstimo em favor da própria entidade familiar. Essa situação poderia, em tese, autorizar a penhora, conforme previsto nas exceções da Lei 8.009/1990.

Como essa questão exige exame de provas e documentos, o STJ não pode apreciá-la diretamente, sob pena de supressão de instância. Por esse motivo, o colegiado determinou a remessa dos autos à corte estadual para prosseguir no julgamento da apelação.

O tribunal paulista deverá examinar especificamente se o empréstimo gerou benefício direto à família. Caso fique comprovado que os recursos foram utilizados em proveito da entidade familiar, a penhora poderá ser mantida, mesmo com o reconhecimento da condição de bem de família. A decisão do STJ estabelece um importante precedente sobre o alcance da proteção ao bem de família em casos de garantias constituídas antes da formação da entidade familiar.

Autor

Leia mais

STJ anula confissão de dívida hospitalar assinado por filha horas após morte do pai

Há 59 minutos
Ex-banqueiro e empresário Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é preso na 3ª fase da Operação Compliance Zero

Há 2 horas

EUA anunciam ter afundado 17 navios iranianos e devem controlar o Estreito de Ormuz

Há 3 horas

Dino proíbe saques em dinheiro vivo de emendas parlamentares

Há 4 horas

Câmara aprova reajuste para servidores do Ministério Público; proposta vai ao Senado

Há 4 horas

Dino determina que União explique corte no Fundo Ambiental e notifique proprietários rurais com cadastros irregulares

Há 15 horas
Maximum file size: 500 MB