Da Redação
A divulgação de trechos de reuniões privadas que resultaram na saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master agravou a tensão no Supremo Tribunal Federal. Ministros suspeitam que as conversas foram gravadas e vazadas para a imprensa, com Toffoli negando qualquer envolvimento no episódio.
Suspeitas recaem sobre possível gravação clandestina
A publicação de um relato detalhado pelo portal Poder360 nesta sexta-feira trouxe frases que ministros consideram literais das reuniões. O conteúdo incluiu até mesmo uma conversa preparatória com apenas cinco participantes: o presidente Luiz Edson Fachin, Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
Segundo ministros que falaram ao blog de Valdo Cruz, parte expressiva do material publicado é fidedigna e reproduz com precisão falas dos magistrados. “São frases literais, numa sequência muito semelhante ao que aconteceu nas reuniões”, declarou um ministro ao blog.
A sensação entre os presentes é que alguém dentro da sala gravou as conversas, relatou a fonte. Outro ministro classificou o episódio como traição ao blog: “É uma traição, muitas frases são literais”.
Toffoli nega responsabilidade pelo vazamento
Dias Toffoli negou categoricamente as suspeitas. O ministro afirmou que a informação é “totalmente inverídica” e que nunca gravou ninguém em sua vida.
As suspeitas sobre Toffoli surgiram porque ministros ouvidos pelo blog consideram que trechos negativos para o magistrado foram omitidos da reportagem. Essa percepção alimentou a desconfiança sobre quem teria sido a fonte do vazamento.
Maioria defendia permanência de Toffoli
De acordo com a reportagem do Poder360, oito dos dez ministros da Corte inicialmente se posicionaram pela permanência de Toffoli na relatoria. Apenas Fachin e Cármen Lúcia teriam defendido o afastamento do colega desde o início.
“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, teria dito Cármen Lúcia, segundo o portal. Nunes Marques sugeriu que Toffoli apresentasse seus argumentos para votação, conforme publicado pelo veículo.
Além do próprio Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin teriam defendido a manutenção do relator. Porém, após manifestação de Dino sobre o contexto político do caso, Toffoli decidiu se afastar.
Três reuniões sem presença de assessores
As conversas ocorreram em três momentos na quinta-feira: uma preparatória reservada, seguida de duas reuniões após a sessão plenária. Nenhum assessor esteve fisicamente presente, apenas os magistrados, o que intensifica a gravidade do vazamento.
A primeira durou duas horas e vinte minutos, e a segunda cerca de trinta minutos. A ausência de terceiros torna ainda mais delicada a quebra de confidencialidade.
Clima de desconfiança deve se agravar
Ministros consultados pelo blog disseram estar “atônitos” com a publicação e preveem agravamento da crise interna. “Mesmo que não tenha sido gravado, alguém passou frases literais para a imprensa. Isso é uma quebra de confiança”, declarou um ministro ao blog.
André Mendonça foi sorteado como novo relator do caso Master, que investiga fraudes financeiras no banco de Daniel Vorcaro. A substituição evitou a decretação formal de suspeição de Toffoli, preservando os atos já praticados por ele no inquérito.
Nesta sexta-feira, Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal para inteirar-se do andamento das investigações e definir os próximos passos do caso.
Informações com o portal G1 e portal 360.


